Usar lâmpadas LED em casa é saudável?
As lâmpadas de LED (sigla para diodo emissor de luz) surgiram há mais de uma década como alternativa de iluminação e, mais recentemente, estão sendo divulgadas como opção mais sustentável e econômica para trazer luz aos lares e locais públicos. Por consumir menos energia e por ter uma maior eficiência, o LED rapidamente substituiu as lâmpadas fluorescentes como preferência, principalmente em vias públicas de grandes cidades.
A rápida disseminação da tecnologia na sociedade, porém, preocupa pesquisadores da Associação Médica Norte-Americana (AMA). No último mês de junho, os profissionais divulgaram um alerta sobre o uso do diodo em alta intensidade e possíveis implicações na saúde. Para a AMA, a emissão da chamada luz azul em alta intensidade pode colaborar para os distúrbios no sono e pode estar relacionado com o desenvolvimento de doenças como o câncer.

A preocupação com os danos do LED, embora pertinente, depende justamente da intensidade. O professor de engenharia elétrica e da pós-graduação em tecnologia da saúde pela PUCPR, Munir Gariba, explica que as lâmpadas de cor branca, comumente usadas em residências, não atingem temperaturas tão altas, e não oferecem o mesmo risco que a pesquisa da AMA detectou.
Ainda assim, o LED pode tirar o sono de muita gente – literalmente. “A emissão da parte azul da luz influencia no corpo humano inibindo a produção da melatonina, que é o que controla o chamado ritmo circadiano”, comenta. Embora todas as ‘cores’ de lâmpada possam emitir a luz azul, o efeito é mais comum para as lâmpadas brancas. Ao alterar o ritmo, funções ligadas à digestão, temperatura do organismo e principalmente o sono são afetadas diretamente.
O professor ainda destaca que o problema não está necessariamente na lâmpada. “Qualquer aparelho que emita luz azul, mesmo que em baixas intensidades, afeta o organismo humano. Por isso que não é recomendável assistir tevê até tarde ou ficar mexendo em celulares e tablets pouco antes de dormir”, explica. Gariba ainda destacou que, quanto mais cores e intensidade da luz, mais cansaço na vista, e menor qualidade de sono e descanso para o corpo.

Para o caso de doenças mais graves, mesmo o estudo da AMA ainda é inconclusivo. Porém, o que se sabe é que o LED é, atualmente, a opção menos nociva à saúde, ainda mais se comparada às lâmpadas antigas. Pela tecnologia e tamanho, o diodo não corre o risco de emitir gases quando uma lâmpada se quebra. Mesmo assim, alguns especialistas sugerem cuidados ao limpar os cacos, como o uso de luvas.
*Especial para a Gazeta do Povo