Semana de Design de Milão
Feira de Milão 2023
MDW 2023 demonstra por que a Itália é o berço do design

Instalação da Preciosa Lighting no Salão do Móvel de Milão | Diego Ravier/Courtesy Salone del Mobile.Milano
Ano após ano a Semana de Design de Milão demonstra ao mundo o que faz da Itália o berço e a principal indústria do setor. A regra valeu para 2023. Uma semana - tomada pelo Salone del Mobile.Milano e o Fuorisalone - foi pouco para que se pudesse conhecer, contemplar e se deixar tocar pelos produtos, pesquisas e soluções apresentadas por marcas e designers independentes em centenas de mostras e outros milhares (talvez milhões) de produtos que vão do mobiliário à iluminação, do escritório ao setor automotivo.

Só no Salão do Móvel, evento âncora da MDW e o mais tradicional do design mundial, realizado na Rho Fiera Milano, foram mais de duas mil marcas expositoras, sendo 34% delas estrangeiras, de 37 países distintos. Além delas, mais 550 jovens designers de 31 países e 28 escolas do setor, de 18 nacionalidades, apresentaram ao mundo o que se pode esperar do futuro do design no Salone Satellite, idealizado por Marva Griffin Wilshire, mais conhecida como “la mamma”.
Estes números não parecem suficientes para constatar a grandiosidade e importância do evento? O que dizer, então, dos 307.418 visitantes que circularam pelos pavilhões da Rho, 15% a mais do que em 2022?
Como ocorria em anos pré-pandemia, os chineses voltaram em peso a Milão, sendo o primeiro país em número de visitantes depois da própria Itália. Da América Latina, o Brasil lidera a lista e era possível constatar o calor da brasilidade nas ruas, no metrô e, principalmente, nos estandes, mostras e lançamentos apresentados nos eventos milaneses.


Design sustentável
Ir à Semana de Design de Milão é beber na fonte. Mesmo quem não acompanha a área não passa ileso ao apelo e à atratividade que um bom desenho (que une forma, função e estética) proporciona ou aos sentimentos que uma instalação em praça pública é capaz de gerar.
Já para quem atua, consome ou é simpatizante da área, estar na MDW é um deleite. Afinal, ali é possível conhecer grandes nomes e designs do passado, encontrar e trocar ideias com os gênios da atualidade, saber o que estão produzindo e sobre o que estão pensando, além de vislumbrar para aonde caminha o futuro do setor.

A contar pelo exposto em 2023, pode-se certamente vislumbrar um rumo mais sustentável. Este não é um tema novo (já havia aparecido com força na edição 2022), mas de tendência tornou-se realidade e premissa das gigantes do design mundial e do trabalho dos novos talentos, que ganharam corpo, visibilidade e se apresentam sem dever nada ao que é produzido pelos nomes mais conhecidos e reconhecidos.




Novos materiais (produzidos a partir de reciclagem, reuso e novas tecnologias - especialmente as de origem biológica), reutilização e soluções para o descarte menos poluente dos mobiliários foram vistos em praticamente todos os estandes e mostras. Assim como o uso de menos matéria-prima, que impacta significativamente na redução do consumo, especialmente quando se fala em iluminação.

A mostra Euroluce, tradicionalmente bianual, mas que não era realizada há quatro anos por conta da pandemia de Covid-19, vestiu-se de negro para receber os expositores e deixar que os lançamentos brilhassem.
Pelos corredores, nomes consagrados do design contemporâneo e mestres como Ingo Maurer, falecido em 2019, apresentaram projetos com design limpo, racional, que levaram ao extremo a funcionalidade e a interação com a peça, além de permitirem diversidade de composições, para que cada projeto, cada usuário possa ter a sua luminária, o seu sistema de iluminação da maneira que desejar ou necessitar.




De volta ao mobiliário, um terceiro ponto se destacou na Semana de Design: o acabamento metalizado. Ele apareceu fosco, polido, espelhado, em assinaturas estreantes ou consagradas, como a dos Irmãos Campana para a Louis Vuitton (na primeira MDW após a partida de Fernando, em novembro passado), como um chamado à modernidade e à racionalidade.




Mas aí você se pergunta: e o conforto, o aconchego que vivemos durante a pandemia? Não persistiu? A resposta é sim, especialmente quando o assunto são os estofados. Eles seguem volumosos, aconchegantes, com revestimentos que proporcionam conforto ao toque e que mantêm tendências da edição passada da MDW, como o bouclé.


Outra tendência conhecida e bastante presente foram as cores. Vibrantes, alegres e energizantes, elas apareceram do mobiliário à iluminação, tornando-se o ponto focal ou surgindo em detalhes sutis, em peças que vão do living ao dormitório, do banheiro ao jardim.







Estes parágrafos são poucos para traduzir tudo o que foi - e tudo o que é - a Semana de Design de Milão. Mas resumem os principais temas e lançamentos que veremos ganhar os projetos de arquitetura e design de interiores no próximo ano.
Se você ficou com vontade de vivenciar a Milan Design Week, saiba que a próxima edição do Salone del Mobile.Milano já tem data marcada: de 16 a 21 de abril de 2024. Até lá!