Faça você mesmo!

Por Gilmar Longato

Nos Estados Unidos, a ideia do “faça você mesmo” remonta à década de 1940, época em que se procuravam caminhos diferentes à produção massificada que avançava a passos largos desde a Revolução Industrial. Mas foi nos anos 1970 que o acrônimo do it yourself, a expressão em inglês, permeou o espírito da contracultura americana ganhando uma forte conotação anticonsumista. Apesar de aquele espírito revolucionário ter se perdido com o tempo, a prática de personalizar o lar com objetos customizados tem ganhado força. Graças também à difusão na internet e na tevê de técnicas e tutoriais sobre como fazer de tudo em casa.

O artista plástico Cláudio Belmudes é especialista no assunto e consegue transformar listas telefônicas em porta-canetas, garrafas pet em abajures coloridos e folhas de jornal entrelaçadas em flores. Ele, que dá aulas de artesanato sustentável, encara o lixo como uma fonte inesgotável de matérias-primas para suas peças decorativas. Princi­­palmente para quem quer gastar pouco e, ao mesmo tempo, ajudar o meio ambiente.

As técnicas, segundo ele, estão disponíveis em livros e na internet, mas o que vale é descobrir um jeito de dar vida nova aos materiais descartados. Sem contar que a prática pode ser terapêutica e ajuda a dar um toque particular à casa.

Para brincar

Longilíneas, de pano, feitas para decorar e para brincar. As bonecas norueguesas Tilda já vem em kits vendidos pela internet para quem gosta de costurar. E foi assim que a designer de interior Flávia Fagundes Santos, do estúdio Le Poème, especializada na decoração em estilo provençal, começou com a brincadeira. Hoje, ela transformou o passatempo em negócio e tratou de personalizar as peças, que ganharam novas padronagens, personalidades e ajudam a decorar quartinhos de bebê por aí.

Ecossistema

Foi em uma viagem aos Estados Unidos, que as arquitetas Heloisa Strobel, 27 anos, e Sabrina Ramos, 29, conheceram os “mini-mundos”, pequenos terrários feitos em vasos de vidro, que recriam um ecossistema a partir de musgos, líquens, orquídeas aéreas, suculentas e galhos. O ambiente natural, que se tornou febre entre os nova-iorquinos, foi adaptado pelas curitibanas, que começaram a comercializá-lo pelo site My Precious Suculenta. “É uma atividade muito relaxante para as horas vagas. Ainda estamos experimentando os tipos de plantinhas que se adaptam e sobrevivem melhor em ambientes tão pequenos”, explicam.

Entrevista

“A casa que a minha vó queria” é um dos blogs de decoração mais acessados do Brasil. Conversamos com a blogueira Ana Medeiros, 30 anos, originária de Olinda, no Pernambuco.

Como surgiu a ideia desse blog? E de onde vem o nome?

O blog surgiu em um período que estávamos de mudança de São Paulo para o Rio de Janeiro e eu estava grávida do meu primeiro filho. Como ficava muito tempo em casa e estava tudo um caos, fui buscando inspirações na internet para decorar gastando pouco. Daí surgiu a vontade de compartilhar os meus achados e com isso a ideia de fazer um blog. O nome foi inspirado na minha vó, com quem morei um longo período da minha vida.

Como você explica o sucesso do seu blog?

Talvez pela espontaneidade com que levamos o blog, a linguagem fácil e também por causa da maneira que expomos a decoração da nossa própria casa. As pessoas gostam de vida real, de saber das mudanças que fazemos no quarto, da cor da parede que escolhemos para sala, enfim. É preciso ser criativo e original no meio de tantos outros blogs para ganhar algum destaque.

O espírito “faça você mesmo” nasceu nos EUA e se popularizou no mundo. Qual é a situação atual no Brasil?

Acho que graças a essa popularização de blogs na internet e também do surgimento de revistas de decoração voltado para um público menos elitista, os brasileiros estão percebendo que podem mesmo viver em um lugar mais confortável e com personalidade, que a casa deve ser um lugar de total bem estar, e com isso, eles buscam reunir suas famílias e produzirem seus próprios espaços. É uma mudança real, que chegou para ficar.

Na sua opinião o que faz as pessoas procurarem decorações personalizadas?

Identidade mesmo, se reconhecer dentro da sua própria casa. É uma valorização de si mesmo, e isso é fantástico, porque quanto mais você se sentir bem, mais sentimentos bons você pode doar para quem está perto.

Qual dica você daria para quem quer criar uma decoração personalizada?

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