Opinião

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‘Conexão Design’ é uma coluna dedicada a pensar um futuro possível, o futuro circular. Neste espaço, os co-criadores do SOMA_studiomilano compartilham suas experiências, ideias e visões sobre design e economia circular, diretamente de Milão.

Vozes

O papel transformador do design

10/05/2024 15:55
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A crise climática, a maior ameaça e desafio do nosso tempo, nos urge a questionar como vivemos, produzimos, consumimos e nos desfazemos de bens materiais.
Na nossa economia linear, a extração e o processamento de vários materiais são processos intensivos em energia, que contribuem significativamente para as emissões globais de gases do efeito estufa e esgotam recursos não renováveis, tendo impacto negativo sobre ecossistemas naturais e a biodiversidade.
Neste cenário desafiador, muitos designers vêm pesquisando e propondo o uso de materiais alternativos e regenerativos, antes considerados resíduos a serem despejados em aterros ou incinerados pela indústria agrícola e alimentícia – e também gerando gases de efeito estufa como CO² e metano.
O design, então, assume um papel crucial de transformá-los de descartáveis em desejáveis, o que contribui para diminuir o volume de resíduos e a dependência de matérias-primas virgens, reduzindo assim as emissões de gases do efeito estufa.
Um exemplo é o CornWall, da Circular Matters e da Stone Cycling, que utiliza sabugos de milho para produzir revestimento interno. Com os ladrilhos CornWall, o CO² que seria liberado pelo apodrecimento ou pela queima das espigas fica bloqueado até que os ladrilhos cheguem ao fim da sua vida útil e sejam deixados para se decompor.
Os produtos são biodegradáveis e podem ser enterrados em um campo para se desintegrar em alguns meses. O objetivo, porém, é mantê-los em uso pelo maior tempo possível, por isso são produzidos com sistema de fixação mecânica para serem desmontados, reutilizados ou devolvidos para limpeza e reciclagem.
O designer mexicano Fernando Laposse também criou um revestimento sustentável para móveis e superfícies internas usando cascas de milho mexicano, o Totomoxtle. Laposse colabora com agricultores locais para bioprojetar uma variedade de cores de casca, em uma resposta direta ao declínio das variedades de milho nativo no México, consequência das práticas agrícolas modernas e pressões do comércio internacional.
Ao focar nessas variedades nativas, o trabalho destaca a importância da biodiversidade e do conhecimento tradicional no design sustentável, além de promover a economia circular e a colaboração entre agricultura e outras indústrias, potencialmente levando a práticas sustentáveis generalizadas.
O último exemplo desta coluna é o Bio-Fold, criado pelos arquitetos Katya Bryskina e Tomás Clavijo e que representa a vanguarda do design participativo e sustentável, desafiando nossos conceitos de fabricação de móveis e promovendo práticas circulares.
Katya e Tomás exploraram o uso de ligantes biodegradáveis e fibras vegetais de resíduos agrícolas para criar materiais adequados para a fabricação de móveis. O objetivo era desenvolver um material de baixo custo, renovável, biodegradável e reciclável. Uma consideração crucial era encontrar um método de produção que permitisse às pessoas moldar e criar seus próprios designs em casa.
Os exemplos não são apenas importantes avanços técnicos; são poderosas demonstrações de como o design e a inovação material podem mudar nossa relação com o mundo natural. Elas redefinem o "lixo" como um recurso precioso, abrem caminho para economias circulares, enfatizam a necessidade de abordagens mais holísticas e sustentáveis no design e na produção, e transcendem a questão ambiental, já que tem implicações sociais e econômicas significativas, oferecendo novas oportunidades de negócios e promovendo comunidades mais resilientes.

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