Urbanismo
Em situação de risco, famílias da Caximba receberão casas construídas por grupo de voluntários

As casas que serão desocupadas são as que podem ser vistas ao lado Rio Barigui, a partir do início da ponte. Foto: Rafael Silva/Cohab.
Vinte e uma famílias da região do bairro Caximba, na Vila 29 de Outubro, em Curitiba, que vivem em situação de risco na beira do Rio Barigui, vão ganhar um novo teto neste fim de semana — sábado (8) e domingo (9) –. A ação de desocupação das margens busca garantir a segurança dos moradores das áreas alagadiças.

De acordo com a Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), os moradores têm relatado que o piso das construções vem cedendo. “Além da preocupação com as chuvas, há também risco de erosão do solo”, explicou a assistente social e chefe do serviço social do órgão, Danniele Gatto Pereira.
Depois da transferência dos moradores, o objetivo também é garantir que o local não seja ocupado novamente. As residências serão demolidas e o ambiente será transformado em jardim e espaços de convivência para a comunidade.

A desocupação, apesar de ser uma ação isolada e emergencial, conversa com o novo projeto para a Caximba, anunciado pela Prefeitura de Curitiba recentemente, que quer transformar o local em um bairro ecológico. “Este é um projeto a longo prazo. Mas cada passo, seja estrutural, de remanejamento ou de acompanhamento social e articulação de lideranças, vai fortalecendo a comunidade”, explica Danniele.
Um TETO
As dezoito casas que serão construídas são de responsabilidade da Organização Sem Fins Lucrativos (ONG) TETO. É a primeira vez que a Prefeitura de Curitiba faz uma parceria com a instituição, apesar da TETO trabalhar na Caximba desde 2014.

Duzentos e cinquenta voluntários são esperados para a ação, a maioria jovens universitários. Sob orientação de arquitetos e engenheiros, eles constroem do zero as residências. “A entrega das casas é uma das ferramentas para o desenvolvimento da comunidade, é uma das frentes que trabalhamos. Acreditamos que a superação da pobreza é uma responsabilidade compartilhada. A união com poder público amplia o nosso impacto”, diz o diretor da TETO no Paraná, Lucas Izael Kogut.
As casas cedidas pela ONG por meio do programa de construção de moradias emergenciais têm de 15 a 18 m² e são feitas, predominantemente, de madeira pinus.

A base da casa, composta por doze estacas, é de eucalipto. Já o telhado é de chapas de vinco colocados sobre manta térmica. Tem três janelas, uma porta e não tem divisórias internas. A construção do banheiro e das instalações hidráulicas e elétricas fica a cargo das famílias, que recebem orientações da Cohab.

Mudança
As famílias retiradas da margem do Rio Barigui se mudam para as novas casas entre quarta-feira (12) e quinta-feira (13).
Seja um voluntário
A ONG TETO tem grupo um no Facebook e lá é possível conhecer mais sobre o trabalho da instituição e saber como se inscrever para o voluntariado.
*Especial para a HAUS.