Precisamos falar sobre urbanismo tático e como ele pode ajudar a revolucionar as cidades

André Nunes*
12/12/2017 19:08
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Seul, capital sul coreana, é apontada como exemplo na revitalização urbana. Foto: Divulgação

Conceito que promove uma visão participativa de “faça você mesmo” de reestruturação urbana, em que aqueles que são mais afetados por uma questão se mobilizam ativamente para enfrentá-la, o urbanismo tático costuma ser apresentado como uma forma de “reapropriação do espaço urbano” por seus usuários. E vem ganhando força nas grandes metrópoles pelo mundo.
“O urbanismo tático propõe modos de intervenção imediatos, ‘acupunturais‘, em relação a questões locais vistas como urgentes por seus proponentes. Seu horizonte de tempo é relativamente curto, até mesmo impulsivo e ‘espontâneo’. Sua escala espacial também tende a ser circunscrita a um limite bem determinado – por exemplo, ao parque, ao prédio, à rua ou ao bairro. Projetos específicos de urbanismo tático podem evoluir de forma fluida em relação a mudanças mais amplas nas condições político-econômicas, arranjos institucionais ou dinâmicas de coalizão”, explica Neil Brenner, professor de Harvard especializado no tema, em sua publicação “Seria o urbanismo tático uma alternativa ao urbanismo neoliberal?“.
Superquadras de Barcelona são apontadas como exemplo de urbanismo tático. Foto: Divulgação
Superquadras de Barcelona são apontadas como exemplo de urbanismo tático. Foto: Divulgação

Urbanismo emergente

O conceito surgiu no contexto de uma crise de governança ampla nas cidades contemporâneas, em que tanto os Estados quanto os mercados vêm falhando sistematicamente na entrega de bens públicos básicos como habitação, transporte e espaço público às populações em rápida expansão.
“Os designers profissionais, bem como governos, desenvolvedores e corporações, em geral, podem participar e estimular ativamente o urbanismo tático para enfrentar as questões urbanas emergentes. Mas suas fontes geradoras devem estar fora do controle de qualquer ideologia específica de especialistas ou qualquer instituição específica, classe social ou coligação política”, descreve Brenner.
Foto: Agência Curitiba / Divulgação
Foto: Agência Curitiba / Divulgação

Oportunidades do Vale

Professor de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), André Turbay acredita que a principal característica a ser destacada das ações de urbanismo tático são a espontaneidade com que são desenvolvidas. “É interessante quando essas iniciativas surgem organicamente, a partir de moradores e usuários daquele espaço urbano em suas necessidades e inquietações. Um bom exemplo recente em Curitiba é o movimento Isso não é um vazio urbano, que busca ocupar terrenos sem uso ou subutilizados em dias e horários determinados”, pontua.
Segundo o urbanista, a região do Vale do Pinhão se encontra num “dilema” quando o assunto é urbanismo tático posto em prática. “Por um lado, o potencial é enorme, com várias fábricas desativadas e espaços que podem ser utilizados como coworking para startups e ações culturais, por exemplo. Mas por outro lado, a organização social dos moradores da vizinhança ainda é incipiente no sentido de tomar a frente dessas iniciativas. Por isso a importância de movimentos como o Reação Urbana“, destaca Turbay.
A ação prevista para março de 2018 na Rua Piquiri, no Rebouças, é vista com entusiasmo pelo professor. “O perfil da rua, no trecho ao lado do Engenho da Inovação, é perfeito no sentido de privilegiar o acesso de pedestres aos automóveis. Dessa forma, uma pintura feita pelos agentes urbanos locais vai ser bastante simbólica para o que se pretende para a revitalização do bairro”.
*Especial para a Gazeta do Povo.

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