Mais de 3,5 mil espécies
Paisagismo e Jardinagem
Sítio Burle Marx é listado como Patrimônio Mundial pela Unesco

A Unesco decidiu nesta terça-feira (27) incluir o Sítio Burle Marx, localizado em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, na lista do Patrimônio Mundial da entidade. A aprovação da candidatura brasileira se deu na 44ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, realizada na cidade chinesa de Fuzhou, mas de maneira virtual, e se tornou a 23ª inclusão do país na lista.
O Sítio Burle Marx conta com mais de 405 mil metros quadrados de área florestal e uma coleção de mais de 3.500 espécies de plantas tropicais e subtropicais. Além de jardins e viveiros, o local, onde o paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994) viveu desde 1973 até sua morte, possui seis lagos e sete edifícios que recebem cerca de 30 mil visitantes por ano.

A candidatura do Sítio Burle Marx estava pendente desde 2020, quando a Unesco precisou cancelar o encontro anual devido à pandemia da Covid-19. Até então, o Brasil contava com 22 lugares reconhecidos na lista do Patrimônio Mundial. O primeiro a ser incluído foi a cidade de Ouro Preto (MG), em 1980, e os mais recentes a receberem o título foram Paraty e Ilha Grande (RJ), em 2019.

"Além da satisfação de estar listado entre os mais importantes bens culturais do mundo, o reconhecimento também implica uma série de responsabilidades de preservação ambiental", disse Claudia Storino, diretora do Sítio Burle Marx, à Agência Efe.
A declaração de novo Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) aumenta ainda mais "a responsabilidade que já temos de manter, conservar e divulgar esse bem cultural", completou a arquiteta, designer e especialista em preservação de monumentos, que dirige o sítio desde 2012. Claudia acrescentou que a decisão reforça a defesa da instituição na busca por recursos para garantir a manutenção do Sítio Burle Marx.

Laboratório
A área de 405.325 metros quadrados foi adquirida pelo renomado paisagista brasileiro Roberto Burle Marx em 1949 e transformada em seu jardim botânico particular e em um "laboratório" de experiências em paisagismo que deu origem ao moderno jardim tropical.

Em 1985, ele doou a área ao Estado brasileiro para preservar essa riqueza e criar um centro de disseminação do conhecimento sobre paisagismo e preservação. Entre as mais de 3 mil espécies dos jardins, estão exemplares ameaçadas de extinção ou já desaparecidas em seus países de origem, e muitas raras ou exóticas, além de cinco espelhos d'água e sete estufas sombreadas.
A maior riqueza do local, porém, são os jardins criados pelo paisagista, nos quais ele experimentou variações de cores, confecções, combinações e texturas com as diferentes plantas que recolheu em suas viagens pela África, Ásia e América Latina.

A decisão da Unesco "completa um reconhecimento que já existe em nível regional e nacional, uma vez que o Sítio é considerado Patrimônio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do Brasil", acrescentou Claudia Storino. E é também "um selo muito importante porque coloca o sítio entre os bens culturais mais importantes da humanidade", concluiu.