Confira o balanço do segundo dia da Smart City Expo Curitiba 2019

Segunda edição brasileira do maior evento de cidades inteligentes do mundo teve recorde de 6.790 participantes. Foto: Michel Willian/Gazeta do Povo
O segundo e último dia da Smart City Expo Curitiba 2019 consagrou a feira como um grande espaço de debate de teorias e exemplos de práticas no universo de inovação presente no tema das cidades inteligentes. Nesta segunda edição brasileira do maior congresso do tema no mundo, o evento teve 26 patrocinadores, 110 empresas apoiadoras e 6.790 inscritos na feira – número 30% maior que o do ano passado e que supera a expectativa dos organizadores.

O dia começou com a palestra de Bibop Gresta, presidente da Hyperloop TT, empresa que desenvolve a tecnologia de mesmo nome que promete ser o futuro da mobilidade, com um trem que alia a velocidade de aviões a um modelo de negócio de cápsulas de transporte em terra – o trajeto de 80km entre Campinas e São Paulo, por exemplo, seria feito em apenas 6 minutos e 37 segundos. Cada cápsula possui 30 metros de comprimento e capacidade para transportar de 28 a 40 pessoas a velocidade de até 1.223 km/hora.
No Brasil, a empresa pretende implantar um Centro Global de Inovação em Logística em Minas Gerais e aguarda a concretização de parcerias. Veja aqui como foi a palestra completa.
Assista ao balanço do evento:
Agir localmente
Outro nome bastante esperado na programação do segundo dia do Smart City Expo Curitiba era o do espanhol Josep Pique, ex-CEO da 22@Barcelona. Em doze minutos, tempo de sua explanação na plenária “Ecossistemas de Desenvolvimento Local e Inovação”, ele contou um pouco sobre seus doze anos de trabalho com a implantação de cidades inteligentes pelo mundo, em especial sobre a sua experiência em Barcelona.

Para Pique, as pessoas de uma cidade – e todos os seus talentos – são o que se tem de mais precioso, e é aí que está a “real inteligência” urbana. O especialista destacou que é importante, sim, enxergar os desafios urbanos em uma perspectiva macro. No entanto, tendo em vista essa real riquezas das cidades [as pessoas], pode ser mais interessante pensar micro. “Vejo que, em um ecossistema local, é preciso misturar governo, cidadãos e empresas. Utilizar o local para explorar algo novo”, disse. Foi o que foi feito em Barcelona. “Unimos atividades mistas, de diferentes setores, em distritos. É preciso ter por perto comércios, universidades, poder público. Quando há integração, há mudança”.
Menos “futurismo” e mais “mão na massa”
Um consenso entre os palestrantes do Smart City Expo Curitiba é de que cidades inteligentes não significam cidades tecnológicas. A máxima é compartilhada também pelo secretário de inovação da Prefeitura de São Paulo, Daniel Annenberg, que também esteve na plenária “Ecossistemas de Desenvolvimento Local e Inovação”.

Além de apresentar as inovações da gestão, Annenberg foi pragmático quanto ao tema cidades inteligentes versus tecnologia. “É muito importante contar com a tecnologia, no entanto, é mais importante focar em soluções práticas que cabem na realidade das cidades”. Para ele, é preciso mais “mão na massa” e menos “futurismo”.
Pensando o futuro de acordo com o presente
Brooks Rainwater, executivo sênior e diretor do Center of City Solutions da National League of Cities (NLC), apresentou o keynote sobre mobilidade centrada no homem na cidade do amanhã. Rainwater exaltou algumas iniciativas de mobilidade que estão funcionando em cidades como Barcelona, Singapura e Nova York e também falou dos desafios de implementação de um sistema inteligente de locomoção ao redor do mundo.

Para Rainwater, todos os meios de transportes criados até hoje foram pensados apenas neles próprios, não necessariamente levando em consideração como os usuários iriam utilizá-los. Para o futuro, o executivo alerta que é preciso projetar sistemas multimodais para desafogar o trânsito, ampliando o transporte público ou compartilhado.
E as mudanças climáticas?
O diretor de meio ambiente de Guayaquil (Equador), Bolívar Coloma, apresentou estratégias que a região está seguindo para se tornar uma cidade sustentável. “Temos três mil habitantes e somos uma importante cidade portuária”. Dentre os focos estão: ações para saneamento, gestão de resíduos, transporte e energia, gerenciamento do ecossistema, qualidade de ar e mudanças climáticas. “Somos a região equatoriana que mais está à frente dos processos de adaptação às mudanças climáticas. Alcançamos temperaturas na casa dos 34 graus e precisamos cada vez mais preservar nossas áreas verdes.” Coloma também estima que até 2022 terão quatro plantas de tratamento de água, atingindo 100% da demanda.

O pesquisador Hélio Lemes Costa, da Universidade Federal de Alfenas (MG), apresentou em primeira mão no evento o projeto Mobiliza 360, um curso online gratuito de produção de conteúdo 360 graus. A ideia deste grupo de pesquisa, chamado Laboratório de Políticas Públicas para Cidades Inteligentes, é capacitar cidadãos a gravar os problemas enfrentados nas cidades – um meio de fazer denúncias sobre moradores de rua em situação de risco, mostrar estruturas públicas que precisam de reparos, entre outros. “É preciso entender o quanto a realidade virtual pode gerar empatia na gestão pública”, explica o pesquisador. Costa enfatiza que para transformar cidades em estruturas mais inteligentes é necessária a inovação no setor público.
*Com Aléxia Saraiva, Camila Machado, Diego Denck e Keyse Caldeira, especiais para Gazeta do Povo.
Confira tudo o que aconteceu no segundo dia da Smart City Expo: