Estilo & Cultura
Palacete dos Leões está sem seus famosos felinos; descubra onde eles foram parar

Obras foram feitas em um material considerado frágil, a louça. Foto: Ivonaldo Alexandre / Arquivo Gazeta do Povo (esquerda) e RPC / Reprodução (direita).
Se na arquitetura os ornamentos de leões são símbolos de proteção, o Palacete dos Leões está bem defendido contra possíveis ameaças. O charmoso edifício curitibano, símbolo do ciclo da erva-mate no Paraná, tem adornos dos grandes felinos em vários pontos de sua arquitetura de estilo eclético. Os dois maiores e mais icônicos leões do casarão, porém, não fazem mais a guarda do imóvel desde o início do ano passado, período a partir do qual o imóvel passou por uma ampla reforma da parte externa encomendada pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), atual proprietário do palacete.

A resposta para o “desaparecimento” dos felinos é simples: apesar do espaço cultural ter sido reaberto ao público no último mês de agosto, até o fim do ano passado as duas estátuas ainda estavam sendo restauradas. Após análises técnicas que indicaram a fragilidade das peças, a restauradora responsável, Ângela Damiani, orientou que as estátuas não deveriam mais permanecer em local aberto para que fossem evitados novos desgastes.
“Há muita variação climática em Curitiba e as peças devem permanecer em temperatura ambiente. Apesar de todo o tempo em que eles ficaram expostos, os leões nunca haviam sido limpos por dentro e estavam muito frágeis”, afirma Ângela. Além das avarias externas, a parte interior das estátuas, produzidas em louça, tinha a presença de fungos. O processo de recuperação envolveu a inserção dos leões em um forno com altas temperaturas, o que tornou as esculturas ainda mais delicadas.

O chefe de gabinete da diretoria do BRDE, Paulo Cesar Starke, informa que está sendo feito um estudo para a produção de réplicas. “A ideia é que os leões originais sejam guardados dentro do palacete, onde serão expostos ao público, para evitar danos causados pelo tempo”, expõe. A proposta foi aprovada pela Secretaria de Estado da Cultura e, agora, o BRDE está fazendo análises orçamentárias para a contratação das empresas que farão as réplicas e a montagem da nova sala expositiva. Segundo Starke, ainda não há previsão para a conclusão deste processo.

Para Sérgio Krieger, chefe da Coordenação do Patrimônio Cultural (CPC) da Secretaria de Estado da Cultura, este cuidado com as obras originais será benéfico também para protegê-las do vandalismo, que, de acordo com ele, é comum na área em dias de jogos de futebol.
Leões históricos

O Palacete dos Leões, concluído em 1902, serviu de moradia da família e descendentes do ervateiro e industrial Agostinho Ermelino de Leão. Os leões já eram de propriedade da família antes mesmo da construção do imóvel, que é tombado pelo patrimônio histórico estadual e integra a lista das Unidades de Interesse de Preservação (UIPs) do município. Ângela defende a importância das estátuas: “São peças centenárias que a Fábrica de Louça de Santo António, no Porto, já não produz mais. Existem poucos leões desse tipo remanescentes. Essas peças ficaram ligadas à família Leão e àquela localidade. É algo que faz parte da cidade de Curitiba, e essa importância histórica precisa ser mantida e divulgada”, opina a restauradora.
*Especial para a Gazeta do Povo.