Estilo & Cultura
6 livros que transformam cidades em personagens principais

Nova York: a cidade onde se passa o último livro de Ben Lerner, o romance autoficcional 10:04. Foto: Bigstock
“As cidades têm a capacidade de oferecer algo para todos, mas apenas porque — e apenas quando — são criadas por todos”. A frase é da urbanista norte-americana Jane Jacobs em sua obra mais célebre, “Morte e vida das grandes cidades”, um livro que revolucionou o urbanismo a partir do seu lançamento, em 1961. Para além da teoria, essa citação reflete o que todos os cidadãos, independentemente de profissão, gênero ou classe, têm em comum: sua própria experiência com as cidades.
Essa relação pode se tornar tão protagonista que não raro extrapola a própria realidade e impacta outras plataformas. Estamos falando dos livros. Muitas obras não apenas se passam em cidades reais como as exploram enquanto personagens importantes da narrativa. E, seja recriando épocas passadas ou retratando uma rotina atual, conseguem, com o perdão do clichê, transportar o leitor para outros mundos.
HAUS selecionou seis obras que têm esse poder para colocar na lista de leitura. Confira os títulos!
Amiga Genial, Elena Ferrante

Nápoles é o pano de fundo do início da história de amizade de Lenu e Lila, que se estende por mais três livros na chamada Série Napolitana — que tem feito um estrondo no mercado editorial e ganhou em 2018 sua própria versão televisiva, produzida pela HBO.
A cidade italiana é onde surge a amizade entre as duas garotas, então ainda crianças, recriando a atmosfera dos bairros e da sociedade na década de 1950. Ao longo de seu crescimento, a relação das protagonistas com sua cidade natal muda e ganha diferentes abordagens e níveis de profundidade, tendo diferentes pontos de Nápoles sempre como palco dos principais acontecimentos de suas vidas.

A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón

Como descrever a aura mágica que é parte intrínseca de Barcelona? “A Sombra do Vento” é um dos muitos livros de Zafón que se passa na capital catalã. Neste best-seller, ele explora a cidade a partir dos olhos de Daniel Sempere, garoto de 11 anos órfão da mãe. Ele passa a viver uma aventura em Barcelona com base no achado de um livro desconhecido, explorando infinitas ruas labirínticas durante o ano de 1945.

10:04, Ben Lerner
Nova York e o aquecimento global. Esse é o cenário do novo romance do norte-americano Ben Lerner, que inclui na metrópole consequências climáticas com tempestades e a possibilidade de terremotos e furacões. A narrativa explora a interação entre a vida e a arte em uma Manhattan contemporânea, mesclando autoficção e metalinguagem. Na sinopse, Ben foi diagnosticado com uma doença cardíaca, e precisa lidar com isso enquanto trabalha a possibilidade de ter um filho com a melhor amiga e escrever seu novo livro, para o qual já recebeu o adiantamento.

Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie

Raça, gênero e identidade são questões que estão no cerne do romance da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, que se passa na capital, Lagos, em 1990. Um casal jovem se apaixona em meio ao contexto de um governo militar. A garota, Ifemelu, vai então estudar nos Estados Unidos e volta à sua terra natal depois de anos, enfrentando uma nova maneira de encarar sua cidade.

Ithaca Road, Paulo Scott

Porto-alegrense, Scott integra o grupo de escritores enviados pela Companhia das Letras para diferentes lugares do mundo com o compromisso de escreverem sobre amor — histórias publicadas na coleção “Amores Expressos”. “Ithaca Road” se passa, então, em Sydney, na Austrália, mas é cosmopolita com os personagens: a protagonista é neozelandesa e veio à cidade para tomar conta do bar-restaurante do irmão, que fica em uma rua agitada da cidade. Nesse contexto, ela convive com imigrantes de diversas partes do mundo.

As Cidades Invisíveis, Italo Calvino
O único da lista a conter lugares ficcionais, a obra de Italo Calvino passa por 55 cidades, tudo sob a minuciosa descrição do viajante Marco Polo. O livro é dividido em 11 capítulos ou grupos temáticos, cada qual narrando um tipo específico de urbanização. Suas reflexões sobre a construção dos lugares por onde passa e seus respectivos povos levam à conclusão de que o número de cidades pode ser infinito — e que, ainda assim, cada espaço será único.
