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“Couro” de cactos é a mais nova alternativa sustentável ao material

HAUS
20/02/2020 14:35
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Foto: Adriano Di Marti

Depois da guerra ao plástico, que ganhou inúmeras versões sustentáveis a partir de fontes renováveis de matéria-prima, o couro aparece como a bola da vez quando o assunto é trazer alternativas de menor impacto ambiental à produção industrial.
Designers e pesquisadores de diferentes partes do globo já apresentaram ao mundo “couros” e tecidos feitos a partir de matéria-prima vegetal. Entre eles estão resíduos de maçã, como o presente na coleção de sofás assinada por ninguém menos do que Philippe Starck para a Cassina, fibra de abacaxi, pela designer espanhola Carmen Hijosa, e de plantas ornamentais, caso do BeLeaf, produzido a partir de folhas de orelha de elefante e que reveste o assento da coleção Outono, assinada pelos brasileiros Mauricio Noronha e Rodrigo Brenner, da Furf Design Studio.
Foto: Adriano Di Marti/Divulgação
Foto: Adriano Di Marti/Divulgação
A novidade da vez é o “couro” de cacto, desenvolvido pelos jovens mexicanos Adrián López Velarde e Marte Cázarez, da Adriano Di Marti. O material é produzido a partir de pencas maduras da espécie Opuntia ficus-indica, família de cactos com espinhos curtos, que não exige irrigação e resistem ao frio, o que faz com que possam ser cultivados durante todo o ano.
O processo de produção do “couro” vegetal envolve diversas etapas. Após o corte, que não mata a planta, as pencas são limpas, esmagadas e colocadas para secar sob o sol durante três dias para então serem trituradas e congeladas para que uma proteína presente na planta seja extraída. O pó, então, é misturado a outros aditivos e agregado ao algodão, ao poliéster reciclado ou a uma mistura destas duas matérias-primas.
Foto: Adriano Di Marti
Foto: Adriano Di Marti
A composição permite que o tecido possa ser tingido em diferentes tonalidades, inclusive com pigmentos naturais, o que expande suas possibilidades de aplicação. O “couro” vegano foi apresentado ao mercado há cerca de três meses durante a exposição Lineapelle, em Milão. A meta de Adrián e Marte, agora, é instigar as indústrias da moda, design, automotiva e aeronáutica a optar pelo material de origem vegetal.

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