Dicas para montar sua academia em casa e projetos para se inspirar

Por Gilmar Longato
O casal Fernanda e Ênio decidiu transformar a sala de 35 m² em um espaço para treinos na pandemia.
O casal Fernanda e Ênio decidiu transformar a sala de 35 m² em um espaço para treinos na pandemia.

O reforço à importância da saúde física e mental em tempos de pandemia fez muita gente se mexer. E como tudo o que diz respeito ao período de isolamento social, isso teve um grande impacto na configuração e uso das casas. Foi assim que a mesinha de centro abriu espaço para o tapete de ioga — ou, no caso de Fernanda Klin e Ênio Santos, para o tatami, que figura no centro da sala de 35 m², agora completamente dedicada aos exercícios físicos.

Para compor o
espaço, tatames e
alguns aparelhos,
como bola de pilates, cama-elástica, halteres e kettlebells.
Para compor o
espaço, tatames e
alguns aparelhos,
como bola de pilates, cama-elástica, halteres e kettlebells.

“Essa sala já foi tudo e mais um pouco. Teve uma época em que foi salão de festas, depois, um depósito. No começo da pandemia, virou meu escritório e agora é um estúdio. É a salinha da necessidade”, comenta Fernanda, que mora em um apartamento de 265 m² no Centro Cívico, em Curitiba. Ela é designer, ele, coach em treinamento físico, o que justifica a urgência com que a sala foi adaptada para se transformar em uma academia funcional, em abril de 2020. Mas não foi preciso muito. Retirados os móveis que ocupavam o espaço, o casal comprou tatamis, pintou as paredes e organizou alguns aparelhos, como bola de pilates, minicama- -elástica, halteres e kettlebells, em armários e no próprio chão. A salinha não apenas ficou funcional, mas visualmente interessante para as lives e treinamentos online que Ênio realiza no espaço. O toque especial é a parede, cuja tinta permite que ela seja toda rabiscada com giz, figurando metas e frases motivacionais; mas também as janelas amplas, que garantem a luminosidade ideal para a câmera e auxilia a ventilação, tão necessária para a prática de exercícios. “Mesmo que tudo volte ao normal, o estúdio vai permanecer. A gente gostou da ideia”, comenta Fernanda.

Do lado de fora

Quem mora em casa, apartamento térreo ou garden tem a vantagem de poder usufruir também da área externa. É o caso da arquiteta Sophia Aguiar, que mora com o pai, Valther, e o irmão, Gabriel, em uma casa em Santa Felicidade. Para ela, bastou o tapete de ioga, às vezes na varanda, outras, na sacada. Mas para Valther e Gabriel, a musculação fez falta. E foi assim que a família decidiu construir em madeira aparelhos semelhantes àqueles que usavam na academia. “Meu pai é engenheiro e sempre gostou de construir coisas em casa. Então, a gente viu como uma oportunidade de usar a criatividade”, comenta a arquiteta. “Como são grandes e pesados, nós deixamos no terraço, onde temos a churrasqueira e ganchos de rede, que acabam servindo de apoio para elástico e outros aparelhos menores”.

Atividades como
ioga, alongamentos e até mesmo musculação e
exercícios funcionais não demandam muito espaço, desde que você
opte por usar o peso do corpo e alguns halteres ao invés de aparelhos.
Atividades como
ioga, alongamentos e até mesmo musculação e
exercícios funcionais não demandam muito espaço, desde que você
opte por usar o peso do corpo e alguns halteres ao invés de aparelhos.

Um outro aparelho foi construído atrás da edícula do quintal, usando-a como base; e, ainda, um aparelho para barra fixa. Para os exercícios funcionais, colchonetes e tapetes emborrachados vão para a varanda, junto aos demais apetrechos. Apesar do espaço que dispõe, Sophia garante que não é preciso ter área externa nem dedicar um cômodo inteiro para se exercitar em casa, desde que se prefira usar o peso do corpo e alguns halteres ao invés dos grandes aparelhos. Arrastar os móveis e criar um espaço entre dois e três metros quadrados é suficiente para diversos movimentos.

A família Aguiar, guiada por Valther, que é engenheiro, construiu
aparelhos similares aos da academia para se exercitar no quintal.
A família Aguiar, guiada por Valther, que é engenheiro, construiu
aparelhos similares aos da academia para se exercitar no quintal.

Para pensar o ambiente

Além da metragem, é importante estar atento a outros detalhes na hora de escolher o melhor cômodo para adaptar à função de miniacademia. A arquiteta e design de interiores Julia Lis enfatiza a necessidade de luz difusa, seja ela natural ou artificial. “Se você for deitar para fazer um exercício, é chato ter um spot bem no seu rosto”, exemplifica. As especialistas também reforçam a necessidade de boa ventilação: o ambiente arejado é essencial para que você se sinta bem durante a prática. Assim, ventilação, iluminação e funcionalidade, além da metragem, podem ser fatores determinantes para você escolher entre o quarto ou a sala, por exemplo.

Julia também sugere que a escolha do espaço pode ser pautada pela possibilidade de somar as funções. “Se você tiver um espaço mais reduzido, é interessante que ele possa atender às duas atividades do cômodo”, aponta a arquiteta. Usar a sala de TV é um exemplo: você pode assistir o treino diretamente na televisão ou ver um filme enquanto se alonga.

Falar em ambientes passíveis de serem adaptados, é falar sobre a mobília multifuncional. Bancos que sejam baús, ganchos, prateleiras e nichos que acomodem também os apetrechos, são bons exemplos. “A pessoa pode usar os próprios móveis ou elementos decorativos para fazer os exercícios, como pesos ou apoios”, sugere Sophia.

Iluminação difusa
e ventilação são
essenciais para pensar os ambientes para exercícios
físicos
Iluminação difusa
e ventilação são
essenciais para pensar os ambientes para exercícios
físicos

E o contrário também é válido: ao invés de usar o que você tem em casa como acessório de ginástica, os acessórios é que podem fazer parte da decoração. Neste caso, a dica é usar as cores ao seu favor. Aparelhos grandes podem ser pintados de forma a combinar com o ambiente, halteres e kettlebells coloridos podem servir como peso de papel, elásticos podem ficar à vista em paineis ou ganchos. Tudo sempre à mão (e à vista), para você não ter desculpa para não se exercitar.

Espaço único, mas integrado

Quem está se preparando para uma reforma ou planejando sua nova morada pode aproveitar o momento para incluir um espaço específico para exercícios. E específico, é bom frisar, não precisa ser sinônimo de desintegrado. O projeto que Julia Lis desenvolveu para HAUS mostra muito bem como a academia pode fazer parte da totalidade do ambiente. “Este é um ambiente com sala, cozinha, sala de jantar e academia. Todos têm sua função própria, mas todos estão integrados, têm essa interação”, aponta.

Para dar a sensação de amplitude, o espaço partilha do mesmo piso e é demarcado por um painel de madeira no teto. Entre o forro e o painel, luzes LED permitem iluminação difusa quando a luz natural, abundante por conta das amplas janelas, não for o suficiente. A localização é estratégica: atrás da sala de TV. Assim, quem se exercita aproveita a função da sala, mas também não incomoda ninguém caso o espaço seja usado por outra pessoa, simultaneamente. Os nichos baixos, do mesmo revestimento do piso, colaboram ainda mais para a sensação de amplitude e ajudam a integrar a academia à decoração.

O ambiente é delimitado pelo painel
de madeira no teto. Quem faz exercícios se beneficia da sala de TV.
O ambiente é delimitado pelo painel
de madeira no teto. Quem faz exercícios se beneficia da sala de TV.
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