Decoração

Um pop designer

Daliane Nogueira
27/12/2012 02:11
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Ele estudou arquitetura na Universidade de Florença, mas encontrou no design de produtos sua redenção. As formas divertidas e o colorido são características marcantes das peças assinadas pelo italiano Stefano Giovannoni. Seu talento explosivo, aliado a uma sintonia fina com o mercado, rendeu-lhe a pecha de “designer superpopular”. Ele acha graça e se diz satisfeito em ter suas criações copiadas por centenas de indústrias mundo afora. É colaborador, há mais de 20 anos, de gigantes como Alessi, Magis e Siemens.
Em sua passagem por Curitiba, durante a Semana D – Fes­tival de Design, conversou com exclusividade com a Viver Bem Casa & Decoração. Veja os principais trechos da entrevista.
Como e por que o design se tornou sua profissão?
Entendo que o design é a arte de entender a sociedade e antecipar desejos e necessidades. Os produtos são mensagens, são uma forma de expressão. Quem compra e coloca determinado produto em casa, quer comunicar algo. Aquela peça tem uma mensagem, uma personalidade. São extensões de nossos corpos.
Você criou produtos que ainda são muito populares, como o Banco Bombo, criado há 15 anos e copiado por várias indústrias. Qual o segredo?
Penso que a qualidade de um projeto de produto é diretamente proporcional ao apelo do produto no mercado. O Bombo é um exemplo disso. Ele foi inovador e ia de encontro com o que as pessoas queriam. Em toda a minha história como designer, eu sempre tentei interpretar os desejos do público e satisfazê-los. Brinco dizendo que um produto tem de ter sex appeal.
Em que o mundo tecnológico mudou o trabalho dos designers?
O nosso trabalho tornou-se diferente, ganhou praticidade. Hoje não há distância entre a ideia e o objeto, a tecnologia permite que se visualize a ideia imediatamente.
Nesse sentido o design é algo que varia conforme as mudanças do mundo?
Creio que sim. Um designer nunca deve estar fechado em sua cultura ou em determinada posição idelológica. Devemos ter antenas ligadas para refletir as mudanças, especialmente em um mundo globalizado.
Qual o efeito prático dessa globalização?
Vou citar como exemplo o mercado chinês. Empresas e designers estão se perguntando com qual linguagem deve-se operar em um mercado desse tipo. Recentemente, criei uma família de produtos para a Alessi chamada Orientais, onde tentei desenvolver uma gama de produtos com um sentimento muito próximo da cultura Oriental. Sem dúvida, o confronto com o gosto chinês tem enriquecido minha abordagem. Mas não é só a China, há um mundo de possibilidades.
E do design brasileiro, o que você conhece?
Sei muito pouco sobre o design brasileiro. Conheço bem os irmãos Campana, que são ícones e têm um trabalho interessante, muito reconhecido no mundo todo. Eles são artistas. Mas não sabemos o suficiente em relação a outros designers. Essa é minha primeira visita ao Brasil e já estou podendo perceber que o país é rico em materiais e talentos.