Plástico rígido, grades antigas, pranchas de skate e até chapas de metal descartadas pela Casa da Moeda. Todos esses materiais que poderiam ir para o lixo, servem de matéria-prima para o designer Zanini de Zanine.
Aos 34 anos, o filho do designer e arquiteto José Zanine Caldas, completa 10 anos de carreira e celebra a data com uma série de exposições pelo país. E, antes de embarcar para o Salão Internacional do Móvel de Milão, na Itália, Zanini atendeu a reportagem da Viver Bem Casa & Decoração.
Convivi 20 anos ao lado de meu pai (José Zanine Caldas). Absorvi muita informação durante meu crescimento e isso culminou com o gosto pelo desenho e a produção.
Formei-me em Desenho Industrial – Projeto de Produto na Puc-Rio. Logo após minha conclusão do curso parti em direção a uma carreira independente que consistia em desenvolver e bancar meus próprios desenhos, meus próprios riscos. Não foi fácil, mas amadureci muito. Com o tempo os contatos e trabalhos foram crescendo, tudo fruto de muita dedicação.
Formei-me em Desenho Industrial – Projeto de Produto na Puc-Rio. Logo após minha conclusão do curso parti em direção a uma carreira independente que consistia em desenvolver e bancar meus próprios desenhos, meus próprios riscos. Não foi fácil, mas amadureci muito. Com o tempo os contatos e trabalhos foram crescendo, tudo fruto de muita dedicação.
Além do seu pai, quais são as suas outras influências no design? Quais nomes você admira?
Trabalhei nos primeiros anos de profissão com o Sergio Rodrigues, que é um grande mestre. E no Brasil também gosto muito da abordagem e provocação no trabalho dos Irmãos Campana.
Você se tornou um designer de destaque muito jovem. Que dicas você daria para quem está entrando no mercado agora? A formação é essencial ou o trabalho de designer envolve mais inspiração?
Diria que tive muita curiosidade, dedicação e identidade. Sugiro que desenhem o que realmente retrata sua pessoa, sua cidade, seu país. E quanto mais certo se está do caminho que se tomou, fica-se mais relaxado para desenvolver coisas boas, que demonstrem personalidade. O começo é sempre complicado, mas faz parte do aprendizado, ao poucos os contatos certos acontecem.
É difícil conseguir espaço no mercado brasileiro de design?
Acredito que em nenhuma área no mundo atual seja fácil. No desenho industrial também é necessário dedicação, pesquisa, riscos… Quando se tem tudo em foco as coisas começam a acontecer. Vale a pena.
Gostaria que você falasse um pouco sobre a Studio Zanini.
A estruturação do Studio Zanini foi uma consequência e necessidade de organização para melhor atender a cartela de clientes, marcas, lojas e empresas que a cada ano vem crescendo. O Studio é localizado na Zona Portuária do Rio de Janeiro, no Santo Cristo. É um Studio de criação e showroom com uma estrutura bem enxuta. Neste espaço recebemos e apresentamos os produtos. Desenvolvemos mobiliário, luminárias, objetos e projetos de interiores.
Creio que o seu contato com a madeira venha do convívio com seu pai e com o Sérgio Rodrigues. No entanto, trabalhar com esse material hoje é mais difícil pela questão ambiental. Quais os desafios de criar móveis de madeira?
Hoje a utilização da madeira é feita de forma muito mias consciente. Existem necessárias normas de preservação da matéria-prima. Uso madeiras de demolição para parte artesanal do trabalho e madeira alternativa para o lado mais industrial. Para fazer e usar o móvel em madeira é preciso saber respeitá-la.
Que tipo de material você ainda não testou e gostaria de trabalhar?
Ainda não testei nada em vidro, mas tenho uma vontade muito grande.
Você está completando 10 anos de carreira, qual o projeto foi mais prazeroso ou desafiador?
A série Inflated Wood, feita para Cappellini em madeiras de demolição maciças, considero um dos meus projetos mais desafiadores e prazerosos.
A poltrona Trez é um dos destaques da mostra e foi lançada pela Cappellini ano passado no Salão do Móvel de Milão. Conte um pouco sobre a peça e a parceria com a empresa italiana.
Esta peça nasceu quando resolvi dar minha interpretação da soma de dois trabalhos-referencias que admiro muito; Amilcar de Castro, grande escultor mineiro que utilizava o metal, e Joaquim Tenreiro, grande moveleiro e criador da Poltrona de Três pés. Juntando estas duas informações brasileiras surgiu a poltrona Trez.
Colaborar com a Cappellini é uma grande realização para um jovem designer e comigo não foi diferente. Giulio Cappellini, diretor de arte da marca, é uma das pessoas mais influentes do design mundial.
Estou aprendendo muito com a seriedade, vanguardismo, qualidade e respeito desta marca que reúne grandes nomes do design mundial.
Colaborar com a Cappellini é uma grande realização para um jovem designer e comigo não foi diferente. Giulio Cappellini, diretor de arte da marca, é uma das pessoas mais influentes do design mundial.
Estou aprendendo muito com a seriedade, vanguardismo, qualidade e respeito desta marca que reúne grandes nomes do design mundial.
Por falar em Milão, o que mais te chama atenção na Semana de Design? E em que tendências você apostaria para este ano?
Gosto de ver a evolução e aparição de materiais e processos. A cada ano aprendo algo novo sobre este aspecto. Não sou bom de prever tendências, não saberia dizer. Porém o caminho natural cada vez mais presente no design é uma consciência global na utilização de materiais e energias renováveis.
Como sente a recepção internacional do design brasileiro?
Atualmente tenho sentindo um interesse muito grande por parte dos europeus e americanos. Temos uma riqueza de informações em nosso país como cores, costumes, religiões que são únicos, frutos da nossa grande mistura que só existe aqui no Brasil. Retratadas estas marcas se tornam exclusivas. O mundo hoje está em busca das diferenças e isso ajuda muito.
O que falta quando o assunto é design de produto no Brasil?
Se tivermos ainda mais empresas e marcas investindo e vendo o design como ferramenta de negócio estaríamos ainda mais desenvolvidos.
E por fim uma curiosidade: como são os móveis da sua casa? Você usa muitos móveis criados por você?
Metade dos móveis da minha casa é trabalho assinado pelo meu pai e a outra metade é de minha autoria… Mas ao contrário do que se possa pensar, gosto de poucos móveis em casa.
