Oratório português
Na sala do casal de arquitetos Dilva e Orlando Busarello, entre várias peças de arte e decoração, um oratório português do século 18 se destaca. “N a casa da minha vó sempre havia um lugar de oração como esse, e você acaba trazendo isso no inconsciente”, reflete Orlando, sobre o impulso de adquirir, em 1982, o oratório confeccionado em carvalho. Desde então, o arquiteto foi compondo o móvel com imagens diversas. A primeira a habitar o oratório foi a estátua de Nossa Senhora da Conceição, comprada na Bahia. “Minha filha Daniela nasceu em 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora”, explica. Há também imagens barrocas em madeira de Santo Antônio, São José, Menino Jesus de Praga, além de duas de São João Batista, feitas em terracota. Ao fundo da peça, uma forma redonda dourada acrescenta outra camada simbólica ao conjunto. Trata-se de uma obra contemporânea, intitulada “Meteoro”, criada pela artista plástica Rossana Guimarães. Para Orlando, a combinação inusitada faz o oratório ultrapassar a mera função de altar. “Ele vira uma espécie de instalação artística, que nos transporta a uma outra dimensão”.
Espaço taoísta
Convertida ao taoísmo há seis anos, sempre que vai para o seu cantinho espiritual, na entrada do apartamento, a arquiteta Maylin Ling acende incensos e repete uma reza em mandarim, aprendida diretamente com um monge chinês. Após o ritual, entre imagens de Buda e quadros orientais, Maylin se sente leve e revigorada. “Essa é uma das partes da casa de que eu mais gosto. É o canto que me traz paz e tranquilidade”, afirma. Alguns dos objetos que compõem o ambiente fazem a arquiteta lembrar também dos seus antepassados. “Tenho um vaso de 70 anos e baús coreanos de 200 anos que eram dos meus avós chineses.” A arquiteta destaca que um cantinho espiritual como o seu não precisa ser decorado apenas com elementos religiosos. O uso de plantas, por exemplo, também ajuda a criar esse clima. “O importante é construir um ambiente agradável, que estimule a reflexão”.
“Templo” Krishna
Pelas mãos do professor aposentado Edvino Romanowski, um quarto de empregada na lavanderia do apartamento se transformou num verdadeiro templo para Krishna, um dos principais nomes de Deus para os hindus. No seu cantinho, entre dezenas de imagens sagradas, muitas delas recebidas como presente de familiares e amigos, diariamente Vijnanananda Dassa (nome espiritual de Edvino) medita, estuda e recita o “Maha Mantra”, uma das práticas mais importantes para quem, como ele, faz parte do movimento Hare Krishna. Entre outras particularidades, no quesito iluminação, no cantinho de Edvino só entram velas de cera. “As de parafina contém estearina, substância retirada de porcos, e nós não usamos nada de origem animal. Somos lactovegetarianos”, explica. Apesar de sua esposa Graziella ser católica, Edvino garante que não há conflito pela diferença de religião. Até porque, com o seu cantinho, ele possui liberdade e privacidade total para manifestar sua fé.
