É um estilo sem regras ou limitações em que o desafio está em usar as últimas tendências de forma atemporal, ou seja, usar o que há de mais novo, mas de forma que isso não fique com cara de velho, antiquado, no futuro.
Pensando nisso é que os arquitetos e designers de interiores optam por usar cores neutras, como o bege, o branco e o cinza, como base para a decoração, deixando os tons fortes e as formas extravagantes para detalhes como cortinas, almofadas e objetos em geral, que poderão ser mudados mais tarde, ao gosto do morador. “A essa neutralidade somam-se as linhas e formas simples, retas em sua maioria”, diz a arquiteta Daniela Barranco Omairi.
Ela reformou um apartamento triplex de Curitiba há pouco tempo, para um casal jovem, onde usou justamente o estilo contemporâneo, com o contraste de materiais como a madeira (no painel que reveste a parede de fundo da tevê) e o mármore (o marrom imperial da escada e o rústico navona do piso), e o uso de linhas retas nos móveis como características, mas sem esquecer do conforto dos moradores. “Enquanto o moderno se preocupa com o design independentemente do conforto, o contemporâneo procurar aliar também o aconchego e a praticidade de manutenção à decoração, preocupações atuais que se traduzem em desejos na hora de decorar”, explica Daniela.
Junto com as tendências, as criações individuais em mobiliário e objetos que ganham renome mundial, seja de qual tempo for, também têm lugar no estilo contemporâneo. “Nesse sentido é possível usar um clássico do design do século 20, como a cadeira Swan, junto com uma característica contemporânea, que é o tecido lavável, fácil de manter.”
A arquiteta Carla Kiss faz uso de um ícone do design moderno, um banco Barcelona, do arquiteto alemão Ludwig Mies van der Rohe, um dos precursores do movimento modernista, com poltronas de referência clássica em um apartamento do Ecoville, em Curitiba. “Essa mescla e a preocupação com o conforto, como o tapete que quebra a frieza do piso, caracterizam o contemporâneo”, lembra Carla.
O projeto, feito para um casal jovem, sem filhos, usa o preto, o branco e o cinza como base, além de muito vidro e espelhos. “Para se buscar a tal decoração atemporal costumo usar as tendências em peças menores, mutáveis.”
Integração
Outra característica bem evidente do projeto de Carla e que é uma tendência do modo de vida atual é a integração dos ambientes. Ninguém mais fica isolado em um ambiente da casa hoje em dia, vendo tevê ou cozinhando. “Nesse apartamento a sala de jantar, a de estar, que também é um home theater, e o bar ficam integrados, criando um imenso espaço multifunção de 80 metros quadrados”, descreve Carla.
O quarto do casal segue o mesmo estilo. “Os móveis, a cama, inclusive a cabeceira, e os criados têm linhas retas e são bem baixos.”
Ao contrário da sala, o banheiro do apartamento apresenta um pouco mais de personalidade, foge do branco e outros tons claros tradicionais de banheiro. “O piso e a parede são revestidos com um porcelanato que imita o tom da ferrugem. A bancada, que é geralmente de pedra, foi feita em vidro. O único elemento mais comum mantido foi a louça branca”, diz Carla.
O cinza é a base do projeto da arquiteta Beth Choeuri para uma família que vive em um apartamento de Curitiba, um casal e um dos dois filhos. “A cor veio de um pedido do casal que queria ambientes com bastante claridade”. Os tons mais fortes, como o vermelho, ficam restritos a um móvel ou outro e a objetos, como os quadros.
Referências do moderno (linhas retas) e do clássico (sancas de gesso no teto e molduras nas portas) caracterizam o projeto como um todo que reflete algumas tendências atuais, como a aplicação de texturas, diferentes tipos de tecidos e estampas (listradas e geométricas), que despertam os sentidos da visão e do tato.
O uso de espelhos e vidros, bastante atual, aparece nas composições do projeto de Beth, como em uma mesa lateral (espelhada), um aparador (de vidro transparente) e uma mesa de centro da sala de estar (com tampo espelhado e pés transparentes), que segue a tendência de grandes dimensões dos móveis de apoio centrais. No home theater, a função é exercida por uma mesa branca e preta.
Monocromática
A cozinha do apartamento não tem interferências de texturas, cores ou estampas e se caracteriza pelo ambiente mais moderno (puro) do projeto. Todo branco, o ambiente é bastante funcional e bem equipado. O fogão instalado no centro, em ilha, fica junto da bancada para refeições rápidas. A lavanderia segue o mesmo estilo da cozinha, com traços retos, móveis brancos e eletrodomésticos em inox.
High-tech
O quarto do filho, Christian Robert Zanchett, de 32 anos, empresário, é um show contemporâneo com ares tecnológicos. Além do visual moderno, com móveis retos e revestimentos nos tons de preto, branco e marrom, a suíte conta com um home theater superequipado, com telão de projeção e televisão LCD, ar condicionado, persianas automatizadas e som ambiente (inclusive no banheiro). As paredes são revestidas com veludo e internamente são protegidas com manta para total isolamento acústico. “Enfim, é um paraíso tecnológico”, define Beth.
O projeto partiu da preferência de Christian pela tecnologia. “Foi a primeira vez que participei da decoração de um espaço. O estilo em si fui montando com a arquiteta, dizendo o que gostava e o que não gostava, minhas preferências, como as cores escuras, e chegamos no estilo contemporâneo”. O colorido está nos quadros comprados com o auxílio da arquiteta.
O quarto tem ainda um frigobar e um home office. “É quase um miniloft, um espaço bastante privativo e independente do restante do apartamento”, diz ele.
