Decoração

O design a casa torna

Daliane Nogueira, enviada especial
25/04/2013 03:20
Thumbnail
O Salão Internacional do Móvel de Milão resolveu, neste ano, voltar os olhos para o futuro. Adotou o tema “Em Milão: O Mundo Que Habitaremos” para provocar nos designers e na indústria de móveis italiana uma reação contra a crise econômica que preocupa a Europa. A estratégia parece ter dado certo: boa parte dos 2.650 expositores do imenso pavilhão de Rho Fiera buscou nas origens do design de ponta uma forma de reagir.
A 52.ª edição da maior mostra de design do mundo, que aconteceu entre os dias 9 e 14 de abril, trouxe boas surpresas no que diz respeito à inovação das formas, materiais e linguagem dos móveis que suprem as mais diferentes necessidades dos ambientes.
Ao assumir a presidência da Cosmit, empresa que organiza o evento, Claudio Luti, número um da Kartell, ergueu a bandeira da criatividade. “O Salão é um centro de inovações por excelência. Por isso, mostramos não só produtos novos, mas uma prévia real do futuro”, afirma.
E o futuro da decoração, pelo que se viu, será democrático. Há espaço para os móveis clean e para a suntuosidade do luxo. A brincadeira com a geometria e o máximo conforto são outras marcas importantes. A casa retratada em muitos estandes é aconchegante e segura – perfeita para os tempos difíceis.
O arquiteto Lucio Albuquerque, que visita a feira há 20 anos, explica que a indústria do mobiliário acompanhou neste período todo o processo de desenvolvimento tecnológico. “A maneira de habitar mudou, a forma de utilização do mobiliário evoluiu e os produtos acompanharam esta evolução.”
Além de recuperar a indústria, o movimento de inovação pode ser atribuído à preocupação em agradar os novos mercados consumidores, que querem design de qualidade. Em uma volta rápida pelos pavilhões, era possível ouvir os mais diversos idiomas. A organização calcula ao menos 15 mil pessoas, entre arquitetos, designers, lojistas e imprensa.
A reportagem da Viver Bem Casa & Decoração estava lá para selecionar as tendências de maior impacto e conversar com arquitetos e designers de Curitiba. Tudo para apresentar o melhor de Milão e contar como as tendências serão traduzidas para as nossas casas.
Design e inovação
Ao falar do futuro, muitas gigantes do design italiano voltaram-se ao passado, expondo suas peças ícones. Uma forma de recuperar a autoestima e grifar que Milão continuará sendo a “capital do design”. Um dos espaços que melhor retratou isso foi o da Kartell, mostrando uma galeria com lançamentos e peças emblemáticas do seu portfólio de nomes como Patricia Urquiola, Philippe Starck e Roberto Palomba.
A Edra procurou um caminho parecido, mas convidou os brasileiros Irmãos Campana para lançar camas com a mesma linguagem de cadeiras que eles desenharam para marca em coleções anteriores. Fernando Campana conta que, ao receber a encomenda, ele e Humberto passaram a imaginar quais desenhos se adaptariam melhor a uma cama. Os escolhidos foram Corallo, Favela, Cabana, Grinza e Cipria.
A irreverência, marca importante do design, esteve presente em coleções como da Magis, Moroso, Pedrali e Poltrona Frau. Todas trouxeram estofados diferentes e apostaram em móveis leves.
E entre as novidades, uma surpresa brasileira: pela primeira vez uma coleção inteira feita no país foi apresentada em Milão. A responsável é a empresa paulista A Lot Of, ago­­ra rebatizada como A Lot Of Brasil. “Reunimos um time de estrelas para isso, como Fabio Novembre, Alessandro Mendini e Nika Zupanc”, conta o empresário e designer Pedro Paulo Santoro Franco, proprietário da marca que, desde 2004 mantém showroom em São Paulo.
Alessandro Medini, hoje com 81 anos, mostrou-se empolgado com a nova empreitada. “O Brasil tem uma história de muita energia e eu tento inspirar isso com as minhas criações. Talvez a gente combine”, diz.
A direção artística da nova marca ficou a cargo do professor e curador de design italiano Vinni Pasca, o que foi determinante para que a A Lot Of Brasil passasse a conquistar o mundo. “Não é de hoje que se observa o Brasil como um país de grande crescimento econômico e cultural e, assim, uma coleção brasileira pode fazer frente ao mercado internacional”, comenta Pasca. A julgar pela disputa para visitar o espaço no Salão, a ideia deu certo.

Salão do Móvel de Milão