Decoração

No rastro de MIlão

Fabiane Ziolla Menezes, enviada especial
05/05/2011 03:01
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az clara referência ao teatro grego e também levou a sonhar quem percorreu o estande da Driade.
Tanto na mostra principal quanto nos mais de 300 eventos paralelos ao salão (batizados de FuoriSalone), boa parte das peças mais bonitas não tinha qualquer formato comum ou função prática. Em vez de uma casa arrumadinha e combinando, a proposta dos designers era: divirta-se!
Uma das mais firmes expressões nesse sentido veio da alemã Dedon, com Nestrest: um grande divã redondo (foto capa) inspirado nos ninhos dos pássaros, feito de fibra sintética, que pode ser pendurado no teto ou em qualquer outro suporte, em ambientes internos ou externos. A peça foi criada pelo romeno Daniel Pouzet e pelo francês Fred Frety.
A italiana Campeggi também deu o recado da diversão com móveis multifuncionais. Todas as peças da coleção 2011 pedem para que o usuá­­­rio as modifique conforme o humor do dia. Sofás que viram camas, poltronas que viram divãs e assim por diante. Mesmo coleções individuais, como a do italiano Daniele Lago, que montou seu próprio estande na feira, foram por esse caminho. ?Eu acredito que o móvel tem de exigir a participação do usuário de alguma forma, para que ele sinta que aquela peça é dele, que pertence à casa, a sua identidade?, diz. Sua estante Et Voilá permite que o usuário modifique o visual do móvel apenas movendo o pano que cobre parte das prateleiras e faz vezes de porta de correr.
Formas
Em termos de materiais, nada muito novo. As formas orgânicas, curvas e inspiradas na natureza; as estampas, feitas até mesmo sobre o alumínio (com a mesma técnica de fabricação da Ferrari); e as combinações de tecidos e espumas que se moldam ao corpo demonstraram apenas a contínua evolução tecnológica da indústria italiana e do Velho Continente em geral, mas não apontaram para nenhuma ruptura revolucionária.
?O que percebi é que, de dois anos para cá, as fabricantes europeias e principalmente as italianas tiveram um salto, com pequenas empresas alcançando os níveis de qualidade e inovação das médias e grandes. Acredito que isso se deva não só à criatividade dos profissionais, mas à necessidade de concorrer com mercados em forte expansão, como o chinês?, opina o designer franco-italiano Emmanuel Galina, autor de uma coleção outdoor chamada Aikana que fez muito sucesso no salão e foi premiada, em janeiro, na feira de Colônia, na Alemanha.
Com o aprimoramento das técnicas de produção, designers conseguiram criar figuras que pareciam ter sido desenhadas à mão livre mesmo em materiais difíceis como o metal. O polipropileno, por exemplo, tipo de plástico que é usado na maior parte dos móveis, por sua resistência e maleabilidade, ganhou formas orgânicas e até mesmo ausência de cor. Esse feito foi da Kartell para a coleção Os Invisíveis, do designer japonês Tokujin Yoshioka. A transparência e as linhas retas das peças são de tal perfeição que fica mesmo difícil perceber os móveis a olho nu.
Outra forma inusitada veio das experimentações do designer polonês Oskar Zieta com metais. A técnica de moldagem criada pela sua fábrica consegue inflar o material, produzindo peças como o banco Plopp. ?O que estamos buscando agora é criar um padrão para essa moldagem, para que tenhamos peças com a mesma forma. Estamos tentando controlar o acaso?, brinca Zieta.
Influências
Boa parte dos lançamentos do Salão de 2011 também encontrou inspiração no passado, com referências às formas das décadas de 1950, 1960 e 1970. Peças como o aparador Caixa, do italiano Paolo Cappello, para a Miniforms; ou mesmo a coleção Klara, da espanhola Patricia Urquiola para a Moroso, são exemplo disso.
Confira mais lançamentos no slideshow e no vídeo abaixo:
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