Decoração

Na cidade, os ares do campo

adrianoj
20/11/2009 02:42
Thumbnail
Essa foi a aposta das designers Ângela Lima e Michele Guimarães. Em um loft de 120 metros quadrados elas uniram referências étnicas e inspiração campestre para decorar os ambientes. “A principal preocupação do projeto é fazer com que os moradores queiram sempre retornar e permanecer na casa. A terminologia (rústica ou contemporânea) não é realmente importante, uma casa confortável de se ver e viver é que deve ser o objetivo final.”, diz Ângela.
Há madeiras de vários tipos e em muitos detalhes. O piso é laminado, o revestimento da cozinha é em madeira teca (resistente a umidade) e os móveis em madeira de demolição, a mais utilizada nos rústicos. “A madeira de demolição está relacionada com o ato de reciclar, de utilizar de outra forma. São madeiras resistentes e muito bonitas”, explica Michele.
Na sala, há um painel onde fica a tevê de LCD. A madeira rústica imita os dormentes do trilho do trem. Abaixo há outro móvel de madeira de demolição, com design assinado por Ângela. “É preciso ter cuidado para não exagerar na madeira de demolição, o ideal é compensar com outros tipos de móveis”, aponta Michele.
No caso da sala decorada por elas, foram usados uma mesa de centro e um aparador de fibra natural, além do sofá e de um pufe revestidos em seda. A lareira e o balcão, que divide a cozinha da sala de jantar, têm acabamento em pedra filetada. “Esse é um elemento presente em projetos contemporâneos, mas que pode ser usado como rústico, dependendo da disposição”, afirma Michele.
Como não há cores vibrantes nas paredes, as designers investiram em objetos coloridos e um projeto de iluminação que destaca as cores. “As cortinas, uma poltrona, os futons sobre o sofá, além de inúmeros objetos, alguns indianos, outros japoneses, são bem coloridos e marcantes”, diz Ângela.
No quarto, o rústico muda do amadeirado para o branco. Há uma cômoda e uma cadeira em estilo provençal (móveis e objetos inspirados na vida tranquila de Provença, região do sul da França. O estilo, criado no século 18 por artesãos franceses, valoriza as cores suaves).
Mas o que realmente chama atenção no cômodo é a cama, em madeira e com estrutura para receber um mosquiteiro. “O revestimento na cabeceira da cama também é em madeira de demolição, para criar um ambiente aconchegante que é reforçado com as luminárias japonesas”, diz Michele.
A região onde está localizado o apartamento, próximo ao parque Barigui, favorece o trabalho das designers. “A vista da sacada é muito bonita e completa o clima de montanha e campo”, diz Ângela.
Apesar da proposital simplicidade, o rústico pode ser bastante elegante. É o caso do projeto assinado pela arquiteta Kethlen Ribas Durski, que uniu objetos espelhados e cristais à madeira, bambu à alvenaria com acabamento imperfeito, com tijolos aparentes.
Um dos principais destaques do projeto é a suíte, com móveis escuros e retos e equipada por muitos espelhos. Dele surgem dois ba­­nheiros (um para cada cônjuge) e um closet. Os banheiros trazem, além da madeira teca, pastilhas azuis na área do box. “O principal destaque rústico da suíte é a parede em filetes de pedra São Tomé decorada com bambus e a cama embutida”, diz a arquiteta.