Ela mudou a percepção de que design é perfumaria. Convenceu empresários a investir nos setores de criação e levou brasileiros ao mais importante prêmio mundial do setor, o Idea Awards. Em seus mais de 35 anos de carreira, Joice Joppert Leal foi sempre uma autodidata apaixonada pela criação dos designers brasileiros. Aperfeiçoou o conhecimento sobre design nos seis anos em que morou em Milão. Quando voltou a terras brasileiras, criou a Associação Objeto Brasil, entidade que desde 2008 organiza a edição brasileira do Idea, que em 2013 foi apresentado em uma cerimônia no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, no início do mês. A exposição com os premiados deste ano fica em cartaz no MON até 26 de janeiro de 2014. Por lá, ela conversou com exclusividade com a Viver Bem Casa & Decoração. Confira os principais trechos da entrevista.
Como começou a sua história com o design?
Desde o início da minha carreira tive a sorte de trabalhar com o francês Michel Arnault, o italiano Ernesto Hauner e ser sócia do Sérgio Rodrigues. Essa convivência só aprimorou um sentimento de que o design é o caminho mais curto para o sucesso e a venda de um produto. A partir disso, tento reforçar essa ideia para os empresários, valorizando o trabalho dos designers brasileiros.
E como foi o processo para a realização do Idea Awards no Brasil?
Em 2006 estabelecemos uma parceria com o IDSA (Industrial Designers Society of America), entidade que todo ano escolhe o melhor do design mundial com o prêmio Idea (International Design Excellence Awards). Assim, o Brasil, desde 2008, tornou-se o único país autorizado a promover uma versão do prêmio fora dos Estados Unidos. Nesses anos premiamos quase mil produtos e há um trabalho grande para abrir o mercado.
Nesses 35 anos como você percebe a evolução do design brasileiro?
Quando comecei, a maioria dos empresários percebia o design apenas como algo que deixava o produto “bonitinho”. Hoje eles percebem que investir no corpo de designers faz com que a empresa amplie suas vendas e entregue um produto melhor. E outro ponto importante é que as pessoas deixaram de achar que o design só está no sapato ou na cadeira. Ele está presente em todos os produtos que são bem planejados e, consequentemente, mais atraentes.
Além do prêmio, quais os outros projetos para o fomento do design brasileiro?
Temos um grande projeto com o apoio da prefeitura de Nova York. Será um festival cultural de design brasileiro, permeado de muito design, em Manhattan em 2015.
Em 2013 vocês escolheram entregar o prêmio e iniciar a exposição dos ganhadores pelo Paraná. Como você avalia a produção do design no estado?
Há dois anos nós trazemos a exposição para o Museu Oscar Niemeyer, que é uma joia da arquitetura brasileira. Esse ano as peças ficam em cartaz até o dia 26 de janeiro. O Paraná é um estado formador de opinião e há muitas indústrias interessadas em investir no design. Outro ponto importante é o destaque das escolas de design do estado, que sempre têm projetos concorrendo e ganhando o Idea.
O prêmio tinha uma categoria com ênfase na sustentabilidade e hoje esse quesito passou a fazer parte da avaliação de todos os projetos. O que mudou nesse aspecto?
Nós temos no Brasil o grande pulmão do mundo que é a Amazônia e por esse motivo precisamos estar ainda mais preocupados com a questão do meio ambiente. No que tange o design isso se reflete no uso consciente e na reutilização de materiais. Tudo isso vem se consolidando muito no mercado de design. Percebendo isso, passamos a considerar a questão ambiental em todos os projetos. Passou a ser uma exigência, pois entendemos que essa preocupação precisa estar na mente dos designers.
