Decoração

Lares onde os pets se sentem à vontade

Daniela Piva, especial para a Gazeta do Povo
18/12/2014 02:22
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Sabe aquela história de se mudar com gato, cachorro, periquito, papagaio? Nossos entrevistados são desses. Para onde quer que vão carregam seus bichinhos. E não poupam esforços para transformar a casa em doce lar também para eles. Visitamos Adriane, Juliano e Maria Fernanda e conhecemos seus projetos mirabolantes, com estruturas e decoração adaptadas para os animais, que transformam troncos de pelúcia em uma selva inexplorada e um criado-mudo em cama ao lado do dono.
Gataria em ação
Dos tempos de criança, Adriane Pereira, de 34 anos, lembra da casa do avô cheia de bichos. Teve mesmo a quem puxar. O gosto virou trabalho – é gerente de um pet shop – e missão: ela passou a tirá-los de situações de risco e a adotá-los. Em sua casa no Bairro Alto, em Curitiba, tem seis gatos e dez ca­­chorros que vivem em harmonia. Todos eles ganharam cantinhos adaptados às suas necessidades. Quer ver? Nestas fotos, está o quarto dos gatinhos. Como os felinos têm forte instinto de sobrevivência e adoram brincar, no início do ano Adriane decidiu reformar um dos cômodos da casa só para eles. “Eu tinha essa vontade há muito tempo e já notei diferença no comportamento deles. Meus ‘filhos’ de quatro patas estão mais tranquilos e felizes. E eu também”, conta Adriane.
Ela mesma desenhou a marcenaria. As paredes de escalada permitem caminhadas por lugares altos. Os nichos de MDF revestido possibilitam que os gatos espremam-se em cantinhos apertados. E a passarela… Bom, essa é a garantia de aventura e diversão para Nero, Preto, Simon, Bolinha, Otto e Minot – mas a tela de proteção foi necessária para conter as peripécias. Além disso, três câmeras de segurança foram instaladas, para que os pets possam ser monitorados. Uma passagem na parede, que liga o ambiente ao quarto da proprietária, foi criada para facilitar a entrada e saída dos bichanos. “Assim, durante a noite, eles vão para o quartinho deles e posso dormir sossegada”, explica. Depois dessa, os cães vão querer um projeto especial também…
Convivência feliz
Após um ano de casada, a arquiteta Maria Fernanda Lorusso, de 32 anos, ganhou o Woody da irmã. O lhasa apso ganhou lugar cativo na vida da família e, sobretudo, no quarto do filho de 4 anos. O menino, apaixonado pelos Beatles, quis que o amigão ganhasse uma caminha ao lado da sua, com decoração especial e tudo mais que tivesse direito. Maria Fernanda decidiu projetar um móvel de dupla função para Woody: o criado-mudo virou casinha para o pet. Feito em MDF, a cama é acoplada à mobília e é removível.
Mas o lhasa não é o único rei deste lar. No apartamento, localizado no Bigorrilho, até o gato da vizinha tem vez. Peki invadiu a residência algumas vezes e ganhou um arranhador com cama, igualmente desenhado por Maria Fernanda, junto à brinquedoteca do filho, que fica na sacada. “Também optei por MDF, pois é resistente e seguro para o bicho”, explica.
O terceiro “cavaleiro” é o canarinho comprado pelo pai da arquiteta. Segundo Maria Fernanda, o novo morador tinha uma gaiolinha bem comum, que não combinava com nada. Aí, na área do pergolado, foi instalada uma outra de ferro, mais bonita, com mais espaço e fácil de ser transportada. O reino animal agradece o estilo!
Vida marinha
Durante uma visita a Casa Cor Paraná, a juíza Giani Moreschi, de 41 anos, gostou de um aquário e até pensou no lugarzinho certo para ele em casa. Mas ficou com receio da trabalheira. O marido, o psicólogo Juliano Ienkot, de 38 anos, que sempre foi fanático por peixes, aproveitou a deixa e mergulhou, quase que literalmente, na arte de montar um aquário em casa. Leu tudo, pesquisou, estudou, fez orçamentos, assumiu os riscos e garantiu que seria ele o responsável pelo viveiro com espécies do Mar Vermelho a ser instalado na parede do hall do apartamento, no Ecoville.
Com 3 metros de largura, 1,10 metros de altura e 50 cm de profundidade, foram necessárias 14 pessoas para instalar o tanque. A estrutura total – que conta com bombas e equipamentos – fica escondida sob armários, e pesa aproximadamente 5 toneladas. Para ter a sustentação ne­­cessá­­ria, optou-se por embutir tudo entre dois pilares.
Durante a trajetória de Ienkot, que já dura seis anos, algumas precauções foram impostas: como a oscilação do mar é imitada por aparelhos ruidosos, toda a parede recebeu isolamento acústico, para não atrapalhar o sossego da moradora do apartamento ao lado. Além disso, a água salgada oxida as dobradiças da marcenaria, e precisam ser trocadas com regularidade. A ventilação da sala também é um ponto importante, para conter a umidade.
A ideia de ter o aquário partiu da mãe, quem faz a manutenção é o pai, mas quem mais aproveita os habitantes marinhos são os filhos do casal, de 6 e 2 anos de idade. “Eles alimentam os peixes e se divertem com as peculiaridades de cada um. É preciso muita dedicação para manter tantas vidas, mas vale muito a pena. Hoje em dia, faz parte da nossa vivência como família”, explica o psicólogo.