Decoração

Flua como o vento e a água

Franco Caldas Fuchs, especial para a Gazeta do Povo
04/11/2012 02:04
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O significado do termo chinês feng shui é bastante sugestivo: vento e água. Assim como esses dois elementos vitais são capazes de contornar obstáculos com facilidade, o praticante dessa filosofia almeja ter uma boa fluidez de energia (chi, em chinês), que a tudo circunda. Colocar forças positivas em movimento, através de alterações no ambiente e em si mesmo, é o desafio dessa maneira oriental de entender a vida.
“O feng shui ajuda a estabelecer uma harmonia externa e interna, e é importante não confundi-lo com um tipo de decoração ou religião”, frisa a arquiteta de interiores e consultora da filosofia Sonia Mori. A origem desse conhecimento milenar se baseia na observação. “Os antigos chineses tentavam explicar, por exemplo, por que, em uma mesma região, uma plantação podia ser mais fértil do que outra.”
A professora de ginástica Sueli Hissatomi, que adota a prática milenar em casa e na sua academia, também explica o assunto com simplicidade: “É como na circulação sanguínea. Se o colesterol impede a circulação, o corpo fica comprometido. O que a prática faz é mais ou menos desobstruir a circulação”.
Abertura e equilíbrio
Por ter mais de 4 mil anos de tradição, é natural que iniciantes se sintam perdidos entre tantos saberes do feng shui, que relaciona, entre outros, conceitos provenientes do I-Ching e da astrologia chinesa. Há inclusive diferentes escolas, como a da forma, a do chapéu preto e a da bússola, que o interpretam e o aplicam de maneira particular.
Mas, de modo geral, todo feng shui busca abrir caminhos e promover o equilíbrio do indivíduo e do seu meio. Dessa forma, alguém que tenha uma residência organizada, limpa e com o mínimo de objetos supérfluos, aplica alguns princípios mesmo que não saiba.
“Em uma casa, por exemplo, é importante ter um centro livre para que a energia flua. Também não se deve reter objetos sem uso. Se você doa uma roupa velha, aí sim você abre espaço no armário para uma nova”, diz Sonia. Ela recomenda que cada ambiente seja readaptado no mínimo a cada ano. “Todo ano você está numa vibração diferente. Concluiu coisas, mudou perspectivas e o entorno precisa mudar”, completa.
Veterinária e entusiasta do assunto, Rosana Moraes observa que o praticante da filosofia exercita a autopercepção e tende a se tornar mais crítico em relação à composição de um ambiente. “Você aprende a importância sutil de vários símbolos, que podem nos influenciar. Ao mesmo tempo, é comum iniciantes ficarem ansiosos com tanta informação. Mas se a pessoa está em dúvida com algo, o principal é ter bom senso e perceber se as coisas estão fluindo ou não”, conclui.
Não é magia, mas ajuda
Feng shui “não é magia”, faz questão de lembrar a professora Sueli Hissatomi. “Para que as coisas deem certo na vida, é preciso correr atrás. Mas ele ajuda a direcionar energias”, afirma Sueli. Ela acredita que os princípios do feng shui contribuíram para que ela e o marido Bruno encontrassem com mais facilidade, no início do ano, uma nova sede para a Academia Paramitta, da qual são donos e que oferece aulas de atividades físicas e práticas meditativas. “Eu fiz algumas coisas, como alinhar o palco em que dava aula em relação aos pontos cardeais e também mudei a posição da recepção. Daí em diante, eu e meu marido encontramos um novo espaço com muita rapidez.”
Na nova sede, no Mercês, com a orientação de um especialista, ela aplicou o feng shui novamente, posicionando estrategicamente elementos, tais como o sino dos ventos (que estimula a fluência energética) e uma fonte de água com seis níveis (que transmite acolhimento e atrai abundância material). “Muitas pessoas que nem conhecem o feng shui dizem que se sentem bem na academia e têm uma sensação de paz. É prova de que ele faz efeito.”
Transformação para o bem
Ao mudar a cama de lugar, alinhando-a para o oeste, posição mais favorável ao seu signo, a veterinária Rosana Moraes não imaginava os efeitos que iria ter. “Eu e meu marido chegamos a passar por uma crise. Mas superamos, e depois o relacionamento entrou em um nível muito mais profundo”, diz ela, que a partir daí buscou entender melhor o feng shui por meio de um curso sobre a linha da filosofia que utiliza a bússola (luo pan), feito na Malásia.
Rosana destaca que o feng shui pode ser aplicado em quase qualquer lugar, até mesmo dentro do carro. No seu caso, um símbolo do mantra Om no retrovisor lhe traz bastante positividade. “É possível pendurar objetos que tragam proteção e boas energias. Escolher a cor do carro mais adequada também faz diferença. Vale também melhorar a numerologia da placa, acrescentando com um adesivo mais um numerozinho”.
Tranquilidade para tomar decisões
O empresário Milton Sato se considera cético. Mas deu uma chance ao feng shui após uma recomendação de um amigo, que obteve resultados positivos. Em agosto ele fez as primeiras modificações em sua casa. Em setembro já sentiu efeitos. “Eu estava numa fase de transição no meu trabalho e as coisas foram se abrindo. Claro que não foi só por causa do feng sui, mas ele me deu tranquilidade.”
As mudanças feitas foram sutis. Por exemplo: um computador saiu da sala e foi para o quarto do filho, enquanto o altar budista que ele e a esposa cultuavam, passou do corredor para a sala. “Com uma taça que minha esposa ganhou, colocamos moedas e outros objetos dourados dentro, transformando a em um símbolo que atrai prosperidade”, conta ele, hoje atentíssimo às influências do ambiente.
Onde conseguir orientação de consultores da filosofia:
• Imperium Feng Shui, fone (41) 9841-0489.
• Sonia Mori, arquiteta de interiores, fone (41) 9968-4133, www.ambientefs.com.
• Pakua – Escola de Artes Marciais e Conhecimentos Orientais, fone (41) 3015-7674.
• Bernadete Brandão ecodesigner, fone (41)3016-4877, www.fengshuieco.wordpress.com

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