Há 15 anos, o designer Antonio Goulart deu uma pausa na carreira para viver outras paixões. Morou na França, circulou entre chefs de cozinha renomados e confrarias. De volta ao Brasil, resolveu ir bem além de onde parou. Pensando em um jeito relevante de se reapresentar ao mercado, reuniu as maiores empresas do mundo para montar seu escritório em uma casa totalmente sustentável – desde o reaproveitamento de água até a produção da própria energia. Goulart escolheu Curitiba para colocar toda a sua experiência conceitual em uma alternativa real e viável de sustentabilidade.
Como começou a sua carreira?
Foi no Rio de Janeiro, há muitos anos, como designer de produto e ambientes. Desenhei desde escovas de dentes até lojas de automóveis. Trabalho com tudo que envolva conceito. Depois, conheci Curitiba e abri uma filial do escritório aqui. Anos mais tarde resolvi largar tudo e, em 1996, fui para a França, onde vivi outra paixão – a gastronomia. Acho que todo artista tem vontade de fazer isso.
Mas agora você volta ao Brasil com um escritório conceitual. Como é o projeto?
Vamos atuar como um polvo. Temos uma equipe de design, engenharia e arquitetura. Mas a grande novidade é que o escritório fica em um imóvel sustentável, montado com o que há de melhor no mundo. Busquei parceiros entre líderes mundiais em tecnologia, como a Schneider Electric, Roca e Hunther Douglas, por exemplo, que estão trazendo o seus melhores produtos para esse projeto, fazendo com que esse conceito se torne real.
Por que um conceito voltado à sustentabilidade?
Eu queria um projeto que fosse relevante não só para Curitiba. Se for importante de verdade, dará certo em Curitiba, em São Paulo, em Paris, Nova York, onde for. Pensando na necessidade mundial de ecologia e sustentabilidade, resolvi trabalhar em cima desses pontos. Uso no escritório materiais que estão dentro da cadeia da reciclagem. Há captação de água e geração da própria energia a partir do vento. Tudo isso com um design intimista, que cria um luxo sustentável.
É possível unir design e sustentabilidade?
Não só é possível como viável. Estamos acostumados a ver o conceito de sustentabilidade aplicado em coisas experimentais, e eu estou mostrando que a proposta funciona em um projeto real, que pode até ser replicado em outras iniciativas.
