Modismos à parte, a primeira coisa a ser levada em questão quando o assunto é a decoração da sua casa é o seu gosto. Não adianta, portanto, rechear o espaço de objetos antigos se não se tem perfil para isso ou então optar por um ambiente modernoso e asséptico sendo que você adora detalhes e histórias de família. Na opinião de Everton Mesquita, sócio do antiquário Casarão, a correria de todos os dias tem afastado as pessoas de suas casas, dos cuidados com ela, das escolhas feitas a partir do seu próprio estilo. “E aí acontece que você olha para a casa e não se reconhece, não há nada acolhedor à sua volta. Nenhuma cadeira que esteja ali porque você escolheu… Hoje há a tendência dos ambientes práticos, mas não dá para perder o referencial frente a sua própria história. Senão viramos uma coisa só, pasteurizada, sem história”, comenta.
Trabalhando no ramo de antigüidades há 16 anos, Everton rechaça também a tendência de se entregar a chave de casa nas mãos de um decorador, o que pode deixar a casa com cara de vitrine. “Eu já vi muita gente vir aqui e adorar uma peça. Quando traz o decorador, ele trata de tirar aquilo da cabeça da pessoa, afinal aquilo poderia comprometer o seu nome, que assina o ambiente.”
Ele teoriza dizendo que tudo tem a ver com auto-conhecimento, que pode ajudar a delinear desde o gosto estético até as escolhas políticas. “É quase um processo psicanalítico”, brinca. Quem faz coro a esse discurso é outro antiquário, Iahn. “Com peça de antiquário é assim, você vê, gosta e compra. É como se a peça escolhesse seu dono. Tem que haver essa identidade. Mas a antigüidade se justifica num ambiente se tiver utilidade”, pondera.