Decoração

Criação com leveza

Eloá Cruz, especial para a Gazeta do Povo
26/06/2014 03:32
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Cansado da rotina que vivia como diretor de uma multinacional da área da computação, o baiano Aristeu Pires resolveu parar. Suas filhas estavam crescendo e ele só viajava a trabalho. A mudança “desesperada” para o Rio Grande do Sul – nas palavras de Aristeu –, o fez descobrir a profissão de designer de móveis. Suas criações com traços leves, contemporâneos e funcionais ganharam o público brasileiro.
Como aconteceu essa mudança de ares?
Quando fiz mestrado em Ciências da Computação, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nos anos 1990, vivi uma experiência muito especial de qualidade de vida. Percebi que trabalhava demais. Queria ficar em Gramado, abrir uma empresa de computação, mas não havia espaço no mercado local. Aí, mais tarde, fui para lá comprar alguns móveis, mas não achei o que queria. Foi quando me ofereci para o dono de uma das lojas para desenhar as peças para sua fábrica. Assim que começou.
Mas você conhecia esse seu lado criativo?
Tive desenho técnico básico na faculdade de Engenharia Elétrica, o que me ajudou de alguma forma. Mas, na realidade, a primeira peça que eu desenhei foi um violão. Como viajava muito e estudava violão, ficava chato aparecer nas reuniões de trabalho com o instrumento. Então, fiz um violão pequeno, do tamanho de um braço de violão normal, com caixa de som pequena. Foi um design voltado para atender uma necessidade.
Você costuma batizar suas peças com nomes femininos. Por quê?
Eu dou nomes femininos somente para cadeiras e poltronas. Acho que são peças mais complexas dentro do mobiliário, que aconchegam. E eu não queria ser aconchegado pelo Oscar, pelo Sérgio nem pelo Sebastião (risos). Prefiro a Gisele, a Maria, todas as outras. Não me inspiro em uma mulher para fazer uma cadeira. Crio primeiro e depois penso em um nome. Por exemplo, a poltrona Gisele não é inspirada na Gisele Bünchen, mas tem o nome dela por causa do estilo europeu no traçado da madeira e um ar tropical com sua estrutura de algodão.
Suas peças têm a cara do Brasil?
Desenho os móveis para mim. O ar brasileiro vem de coisas que são alimentadas com os olhos, vem dos sentimentos. É igual música. Uma pessoa que ouve rock o dia todo vai acabar compondo rock. Eu escutei tudo de Chico Buarque, de Caetano e Tom Jobim, então, as coisas que eu faço têm um pouco do estilo deles, que de algum jeito faz parte de mim.