Decoração

Cozinhas para sonhar

Daliane Nogueira e Andréa Sorgenfrei, enviadas especiais
24/04/2014 03:22
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Visitar o Salão Internacional do Móvel de Milão é uma verdadeira maratona que quase 360 mil pessoas encararam entre os dias 8 e 13 de abril. Entre elas, nós, jornalistas da Gazeta do Povo, que não poupamos esforços para buscar as principais novidades e tendências do mundo do mobiliário.
Este é o quinto ano consecutivo que o jornal faz uma cobertura exclusiva do evento, buscando traduzir como os lançamentos chegam na decoração das casas paranaenses. Terminada a visita, que resulta em algo em torno de 25 quilos de material a ser depurado, começa um dilema: definir como apresentar a overdose de informações que se absorve em apenas quatro dias.
Este ano optamos por jogar luz aos lançamentos apresentados na 20.ª edição da Eurocucina, exposição de novos projetos de cozinhas que ocorre a cada dois anos e ocupa quatro dos 20 pavilhões do evento. E essa grande visibilidade da mostra tem justificativa: andar pelos estandes era tarefa difícil e não houve sequer um arquiteto ou designer ouvido pela reportagem que não se mostrasse mais atento à Eruocucina do que à mostra principal, de design, em Milão. Vale lembrar que nos anos ímpares ocorre a Euroluce, voltada para a iluminação.
“Nenhum outro espaço da casa transformou-se tanto nos últimos tempos quanto a cozinha. Ela ocupa áreas nobres na residência e é necessário apresentá-la cada vez mais bonita e com design inovador”, aponta o arquiteto curitibano Léo Pletz, que esteve em Milão pelo sexto ano. A cozinha como espaço social parece ter sido totalmente absorvida pela indústria mundial que apresentou, quase que na totalidade, ambientes projetados com ilhas centrais, dispensando o tradicional fogão e investindo em bancadas das mais diversas dimensões.
Mistura de materiais e cores
Para quem estiver pensando em trocar a cozinha nos próximos meses, a grande inspiração vinda da Eurocucina 2014 é a mistura de dois, três, quatro materiais diferentes. A madeira pode aparecer em várias cores no mesmo projeto, que tem espaço ainda para o inox, o vidro e, porque não, um tampo feito de superfícies tecnológicas, cada vez mais moldáveis e versáteis, que vêm substituindo as rochas naturais, como mármore e granito.
“Aço e branco estão de volta na leitura das cozinhas, mas a madeira aparece com muito destaque. As cores ficaram apenas em pinceladas aqui e ali”, analisa a arquiteta curitibana Cris Daros. Em geral, a cor está presente em detalhes de decoração ou em nichos, mas raramente encontram-se cozinhas totalmente coloridas.
Design
Outra tendência que chamou a atenção foi o minimalismo na concepção dos móveis. A busca por formas mais puras prevalece em detrimento da ostentação. “A brincadeira com a geometria e volumetria é bastante evidente”, aponta o professor do curso de Design de Interiores do Centro Europeu, Djoni Alexi. Uma solução inteligente para espaços menores é a aposta em móveis componíveis.
A mistura de espessuras nos tampos e os acabamentos trabalhados em relevo com desenhos artísticos, além das linhas arredondadas, são destacados por Pletz. “Há um ar vintage em algumas linhas, mas em releituras que deixam os espaços o mais clean possível”, explicao profissional. Nos acabamentos, o glossy, laqueado e brilhante, aparece com menos frequência dando lugar ao efeito mate e acetinado, mas sempre em superfícies impermeáveis e livres de bactérias.
Tecnologia
Sistemas inovadores de abertura de portas (que estão se beneficiando da tecnologia touch), gavetas com freios e amortecimento e iluminação interna (com lâmpadas coloridas, inclusive) são recursos que se aprimoram a cada edição. Esses mecanismos permitem que cooktops, coifas e até pias fiquem totalmente fora da visão, ampliando o espaço para a decoração.
“Esconder todos os eletrodomésticos não é algo muito recorrente no Brasil, ainda temos a cultura de mostrar as marcas e modelos de peças com apelo tecnológico”, analisa Graça Berneck Gnoatto, diretora comercial e de marketing da Berneck, empresa que produz painéis e produtos de madeira. E se os equipamentos somem, os utensílios e objetos de decoração aparecem. Nichos e estantes com panelas, pratos e livros ficam à mostra, dando à cozinha um jeito de ambiente social.
A cada dois anos a Eurocucina expande a percepção do uso desse espaço e este ano ficou claro que a cozinha do futuro mistura simplicidade, aconchego e inovação.

Confira os espaços