Decoração

Adeus aos bichinhos

adrianoj
20/11/2009 02:30
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O quarto é tão importante para Bruna Bricailo Ribas, 16 anos, que ela trocou uma viagem para os Estados Unidos para ganhar, como presente pelos 15 anos, um nova decoração para o seu cantinho. “O quarto antigo era bem improvisado, com móveis que foram comprados soltos e papel de parede infantil. Não combinava mais com ela”, diz a mãe Rossana Bricailo.
O projeto é das arquitetas Maria Cláudia Puga e Débora Cunha da Matta. Elas usaram o branco e os tons amadeirados no mobiliário e privilegiaram o espaço de estudo da jovem. “Há uma mesa para o computador e alguns pufes para quando ela recebe as amigas”, diz Maria Claudia. Outro elemento bastante usado no projeto são os espelhos e as fotos, um item que as adolescentes apreciam muito. “É um pedido recorrente, especialmente das meninas”, diz a arquiteta.
O novo quarto de Bruna, que tem 15 metros quadrados, custou em torno de R$ 16,5 mil, incluindo o projeto de interiores, a reforma elétrica, a troca do piso e os móveis.
Antes de começar a pintar ou a aplicar papel de parede e transformar o quarto da criança em um de adolescente, é preciso pensar na tarefa que se tem em mãos. Os adolescentes mudam de gosto durante a fase e é necessário encontrar um meio-termo, para que os pais não tenham de redecorar o espaço todos os anos. “É interessante pensar em um quarto que eles possam levar consigo quando forem, por exemplo, estudar em outra cidade ou quando alugarem o primeiro apartamento”, aponta a designer de móveis Julie Inada.
Ela é responsável pela mudança no quarto de Gustavo Hayashi, 17 anos. A mãe, Marina Hayashi, queria um espaço mais sóbrio, com menos apelo infantil. Dos antigos móveis em cerejeira, nada foi aproveitado.
Foi feito um guarda-roupas com duas portas de correr revestidas de vidro preto, com perfil de alumínio para o quarto ficar mais contemporâneo e, na bancada de estudos, há um tampo que a une com o painel da televisão. “Uma prateleira com lâmpada embutida melhora a iluminação da bancada e na cama ele pode se apoiar com conforto para assistir tevê ou jogar video game”, diz Julie. O valor aproximado de todo o quarto foi de R$ 12 mil, sem incluir os aparelhos eletrônicos.
Marina conta que esse é o terceiro quarto do filho. “Ele cresceu bastante, já não cabia no próprio quarto. Além disso, está em período pré-vestibular é precisava de um local confortável para estudar.”
O projeto evidencia ainda um espelho grande de corpo todo, e um nicho engrossado para a coleção de carrinhos. “Essa me acompanha desde a infância e quero manter bem cuidada”, diz Gustavo.
Tanto Rossana, quanto Marina concordam que o melhor é decidir a decoração em conjunto com os filhos. “É claro que o gosto deles muitas vezes não combina com o nosso, o mais apropriado é fazer algo que fique funcional e agradável, já que serão eles os usuários. A Bruna participou da escolha das cores e aprovou o projeto antes da execução”, diz Rossana.
“Prefiro os tons em madeira, mas o Gustavo preferiu o branco”, diz Marina. A justificativa do jovem é rápida e convincente. “Sou corintiano e queria um quarto das cores do meu time (preto e branco)”, conta.
Comportamento
Refletir o comportamento do adolescente é difícil, até porque muda bastante durante a fase. A dica então é procurar uma base neutra, em vez de se prender a um tema que em pouco tempo não estará no top de preferências.
Pensando nisso o arquiteto Luiz Maganhoto e o designer Daniel Casagrande projetaram um quarto de um pré-adolescente de forma mais durável. “Há uma plotagem do Mario Bros que pode ser retirada sem prejuízo para a pintura e os móveis são bem contemporâneos com apelo tecnológico, que o menino adora”, diz Luiz.
Além de conceber um quarto que mostre a personalidade do adolescente e de criar um ambiente onde ele se sinta bem, é importante que o jovem assuma a responsabilidade de manter o seu espaço limpo e arrumado, de acordo com a psicóloga Rachel Martins. “Para evitar futuras discussões cada vez que abre a porta e tem dificuldade em encontrar o seu filho no meio da bagunça, sugiro que os pais pensem em quartos que facilitem a arrumação”, recomenda.