Durante a Semana da Alta Costura em Paris, um desfile de arquiteturas efêmeras impressionantes. E uma delas – a Dior – me toca em especial. Por duas razões. Uma é pessoal: pela primeira vez na história, a diretora artística da maison é uma mulher. Uma mulher italiana de curvas, corpo e sorriso largos. Maria Grazia Chiuri (ex-Valentino, onde já fazia um trabalho magnífico) está na Dior e constrói suas arquiteturas fluidas inspiradas no savoir-faire francês: seja pela escolha das cores, dos desenhos aplicados, das formas e volumes das roupas. Veste mulheres fortes e delicadas, certas delas mesmas, “guerreiras-frágeis” deste novo-mundo Putin-Trump.
A outra é uma questão arquitetônica. A apresentação acontece no Museu Rodin. Constroem a arquitetura efêmera no jardim de labirintos. Espelhos externos e internos refletem o real e o imaginário, para que o público se sinta realmente parte de um mundo mágico.
Christian Dior sempre teve uma paixão pelos labirintos. E agora vem este jardim de sonhos, que fica entre o maravilhoso e o perigoso. Vem com a ideia de procurar o próprio caminho. São 5 mil m² de área, 1 mil m² de grama de bosques, 400 mil galhos de buxinhos para os bancos, 500 plantas para o labirinto, e uma árvore de duas toneladas no centro simbolizando um “apanhador de sonhos” . Uma floresta imaginária concebida pelo Bureau Betak e criações florais de Eric Chauvin.
Tive a oportunidade de fazer um trabalho de cenografia para a loja Cassina Saint Germain des Près, em Paris, em 2010. O projeto se chamava Jardin d’Amour (Jardim do Amor), inspirado em uma pintura de Rubens, que também tinha como princípio um jogo de espelhos e de labirinto. A pintura barroca no fundo (que faz parte do acervo do Museu do Prado) se contrapunha à arte ótica feita de quadrados e retângulos de espelhos e de luz. Esse caleidoscópio tromp l’oeil contemporâneo faz com que o público se aproprie e ao mesmo tempo se deixe levar por este mundo mágico e onírico de um Jardim Encantado. Um pouco de poesia para este mundo desencantado. Mergulhe nas fotos!



