Arquitetura

Vazio pós-obra

adrianoj
05/03/2007 02:45
A residência em um condomínio fechado foi construída em apenas oito meses, contando o atraso por conta de um problema no fornecimento das esquadrias de portas e janelas. E durante toda a obra, o médico-auditor Mário Caetano da Silva, 47 anos, não deixou de ir até lá por nenhum dia. Na fase de acabamento, “batia ponto” pela manhã, antes de ir para o trabalho, pela tarde e quando precisava, sacrificava também a hora do almoço.
“Quem vai construir tem de estar junto. A construtora até tem controle de qualidade, mas é deficiente. Os pedreiros e o engenheiro muitas vezes desconheciam detalhes do projeto. Faltava alguém que fizesse esse meio-campo e assumi a tarefa”, conta.
O segundo trabalho não pesou para Mário, pelo contrário: “Foi uma coisa apaixonante, de resultado gratificante. Quando acabou, senti até um vazio.” A esposa Gilbetse Alane de Castro Silva, psiquiatra de 47 anos e a filha Audrey, 7, compartilharam com ele a curtição da casa nova. “Muita coisa tive de decidir na hora, sozinho, e sempre tive o apoio da minha esposa. A gente vestiu a camisa de que isso seria uma coisa boa para nós.”
O casal escolheu sozinho todos os acabamentos. “Ia em lojas que têm representante do fabricante e montava as peças no chão. Fiz isso várias vezes e sempre fui bem atendido. Assim, conseguia ter uma visão do resultado final”.
Além das janelas, o casal teve problemas com o arquiteto: “Ele valorizava muito o custo de revenda da casa. Tivemos que abandoná-lo porque ele não aceitava o que queríamos. Talvez a tolerância e a paciência sejam coisas que pesem para aqueles que não gostaram da experiência de construir”, opina Mário.