Retrofit é saída para quem quer morar bem por um preço justo em apartamentos antigos de Curitiba
Quando uma Europa moderna não sabia o que fazer com tantos edifícios antigos e históricos inutilizados em razão da tecnologia ultrapassada que impossibilitava seus usos, o retrofit surgiu como uma forma inteligente de revitalizar as construções, restaurando e mantendo características originais dos edifícios, mas incorporando novas tecnologias e funcionalidades.
Em terras brasileiras, o retrofit é bastante conhecido, mas poucas vezes é encarado como um modelo de negócio. E essa é a novidade que a paranaense R3 Retrofit tem feito em Curitiba. Em apenas um ano de existência, a empresa, que mais se aproxima de uma incorporadora do que de um escritório de arquitetura ou engenharia, foi responsável por restaurar e transformar oito apartamentos em endereços tradicionais da capital paranaense, deixando-os prontos para uso e parcialmente mobiliados.

Alguns dos apartamentos retrofitados pela R3 estão nos emblemáticos edifícios Leonor Moreira Garcez, na Alameda Dr. Carlos de Carvalho, o Mikare Thá, na Rua Conselheiro Araújo, e o Excelsior, na Francisco Rocha.
O Mikare Thá, no Alto da XV, por exemplo, faz parte do acervo mais modernista de Curitiba, e marca o início do processo de verticalização da região central. Entre os traços do prédio, que lembram Lina Bo Bardi e Vilanova Artigas, estão o uso de concreto aparente na parte externa, uso de materiais naturais e o mínimo de revestimentos – características tipicamente brutalistas.

Segundo o engenheiro civil Luiz Fernando Cordeiro, à frente da R3, em conjunto com o também engenheiro civil Rodrigo Filippini, o retrofit tem uma série de benefícios em relação aos lançamentos vendidos na planta. "Em geral os apartamentos readequados estão em edifícios em pontos tradicionais e bem localizados, são prédios e regiões com uma história bastante rica, e um espaço atualizado que já vem pronto para morar, sem precisar esperar anos até a finalização. O cliente só precisa entrar com seus itens pessoais e móveis", defende.

Em comparação, o metro quadrado do retrofit feito pela empresa gira em torno de R$ 7 mil a R$ 9 mil, enquanto o metro quadrado dos lançamentos é a partir de R$ 11 mil, de acordo com Cordeiro.

"Nos projetos sempre contratamos um arquiteto que assina as obras e que é responsável por unir o tradicional de um edifício amplo e espaçoso, bem construído, com o novo, trazendo fluidez, escalações e design contemporâneo".
Os projetos do Garcez e do Mikare -- as fotos ilustram esta matéria -- foram concebidos pelo escritório Boscardin Corsi, dos arquitetos Ana Boscardin e Edgard Corsi, premiados recentemente com a melhor decoração de apartamento do mundo.
Nas últimas unidades recém-lançadas no Edifício Excelsior, o projeto de interiores ficou sob responsabilidade da arquiteta Flávia Bizinelli.

Os empresários da R3 já estão de olho em mais 37 endereços promissores da cidade e não temem a concorrência. "É bom que tenha mais pessoas fazendo isso. Seria bom para todos porque acostuma o público com essas ótimas oportunidades de compra, com um bom custo-benefício", conclui.
