Arquitetura

Restauro do Museu da Língua Portuguesa recicla materiais consumidos no incêndio

Júlia Rohden*
06/09/2017 19:01
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Foto: Museu da Língua Portuguesa/Divulgação

No final de 2015, o Brasil assistia ao primeiro museu do mundo totalmente dedicado a um idioma sendo consumido por chamas. Um incêndio de grandes proporções atingiu as instalações do Museu da Língua Portuguesa que ocupa área de 4,3 m², na região central de São Paulo. As obras emergenciais começaram apenas dois dias depois para preservar o conjunto arquitetônico e proteger as áreas descobertas da chuva.
A reconstrução começou em dezembro de 2016 e é baseada no projeto original, aprovado pelos órgãos reguladores na época da inauguração do Museu, em 2006. Serão feitas algumas adequações às mudanças na legislação e à experiência de uso do prédio durante seus dez anos. O arquiteto Pedro Mendes da Rocha, que desenvolveu o projeto original do Museu da Língua Portuguesa junto com Paulo Mendes da Rocha, é responsável pelas adaptações necessárias no projeto de arquitetura.
“Um dos principais desafios é se tratar de um museu de muito sucesso. Discutimos profundamente quais aspectos poderiam ser melhorados na experiência do público com o museu, sem descaracterizar a personalidade do local”, comenta Larissa Graça, gerente de Projetos da Fundação Roberto Marinho. A Fundação é responsável pela criação original do Museu da Língua Portuguesa e pela concepção e realização do projeto, em parceria com o Governo do Estado do São Paulo
São Pauloo - Incêndio de grandes proporções atinge Museu da Língua Portuguesa (Bombeiros do Estado de São Paulo)
São Pauloo - Incêndio de grandes proporções atinge Museu da Língua Portuguesa (Bombeiros do Estado de São Paulo)

Sustentabilidade

Uma das principais características da restauração é a sustentabilidade. Cerca de 85% da madeira usada na recuperação das esquadrias vem de material já existente no museu – dos 20 m³ de madeira necessários para a restauração, 17 m³ são reaproveitados da sustentação da cobertura do prédio. As madeiras com mais de 70 anos ganham nova vida com o trabalho de reparação para a recuperação das esquadrias e fachadas. A previsão é que as obras das fachadas e esquadrias terminem em outubro, com mais de 300 esquadrias restauradas ou refeitas.
Uma marcenaria foi instalada no primeiro andar do museu, onde o material parcialmente carbonizado, peroba do campo rosa e amarela, é restaurado e reutilizado. O desafio da equipe é recuperar o edifício, que é um marco da época de ouro das ferrovias no Brasil, preservando seus aspectos históricos e dentro das técnicas atuais de restauro.
A reconstrução do Museu da Língua Portuguesa também prevê a redução do consumo de energia, coleta de água de chuva para irrigação, gestão de resíduos durante a obra e o uso de madeira certificada. A obra segue diretrizes de sustentabilidade necessárias para a obtenção do selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design).

Próximos passos

A próxima etapa da obra será a reconstrução da cobertura do edifício, com previsão de durar dez meses. A reabertura do museu acontecerá no segundo semestre de 2019. Em dez anos de funcionamento, o Museu da Língua Portuguesa recebeu cerca de quatro milhões de visitantes e é considerado um dos museus mais visitados do Brasil e da América do Sul.
*Especial para a Gazeta do Povo.

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