Paredes quase abertas

Por Gilmar Longato
Parede desenhada em porcelanato, da Portobelo Revestimentos, se inspira na técnica dos cobogós
Parede desenhada em porcelanato, da Portobelo Revestimentos, se inspira na técnica dos cobogós

Típico de construções da metade do século passado, os elementos vazados – blocos abertos e desenhados – estão de volta. Eles eram restritos antigamente a ambientes quentes, que precisavam de ventilação. Mas hoje voltaram para casas, escritórios e restaurantes justamente por seu potencial decorativo.

Os cobogós, como também são chamados devido à junção das sílabas dos sobrenomes de seus criadores, Amadeu Coimbra, Ernst Boecjmann e Antônio de Góis, são genuinamente nacionais. O berço de nascimento foi Recife, nos anos 1920. A inspiração eram os muxarabis, paredes de madeira vazadas em estilo oriental, comuns no Nordeste durante o período colonial.

“Na época, a temperatura era muito alta em ambientes internos. Por isso era necessário climatizar o interior das casas, ainda mais no verão”, explica o arquiteto Ivan Wodzinsky. A moda pegou e os elementos vazados, feitos de blocos de cerâmica, concreto ou vidro, ganharam casas espalhadas pelo Brasil.

Retorno

Depois de desaparecer das fachadas – eles eram moda nos anos 1960 –, os cobogós reapareceram há pouco tempo. No Sul, que conta com contrastes maiores de temperatura, a invenção pernambucana virou decoração. “Fica muito elegante em casas. A estampa produz desenhos diferentes nas paredes, que ficam modernas”, comenta Wodzinsky.

Um dos responsáveis pela retomada dos elementos vazados na região é Alexandre Nobre, sócio da Elemento V, fábrica que produz cobogós de cerâmica em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba. Quando atuava como arquiteto, o empresário percebeu que existia uma ausência do material para suas obras. Aproveitou a deixa e fundou a fábrica.

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