Arquitetura
Casa fantástica em Curitiba tem árvore com 9 metros de altura na sala

Fotos: Letícia Akemi / Gazeta do Povo | Gazeta do Povo
O melhor parque de diversões
Alunos de arquitetura fazem peregrinação até a “casa da árvore” do Pilarzinho. Vira e mexe algumas delegações estrangeiras também chegam por lá para aprender as lições da tal “arquitetura honesta”. Entre os especialistas não há consenso. De um lado há quem diga que se trata de um estilo orgânico pela sinergia com o meio ambiente. Do outro, existem defensores de que a casa é um exemplar de arquitetura neovernacular, quando são empregados técnicas e materiais regionais do próprio local onde a edificação é construída. O motivo de toda a atenção é o mais nobre de todos: a casa projetada e construída por Osvaldo Navaro Alves surge no meio de um bosque de mata nativa como uma semente que brota naturalmente. Ninguém imagina que nem sempre esteve ali.
A habitação é uma figura geométrica de 12 lados. No centro, o principal elemento estrutural é o tronco de uma Gurucaia, árvore nativa de nove metros de altura. Todas as outras vigas se encaixam na coluna e formam um esqueleto similar ao de um guarda-chuva. As paredes são de alvenaria com textura baiana e troncos de eucaliptos empilhados. A iluminação aproveita a luz natural e fica a cargo da claraboia central – o que tecnicamente leva o nome de iluminação zenital. E, para garantir o conforto térmico da casa, existem no telhado telas horto florestais responsáveis por refletir até 50% da irradiação solar.
Dentro não há corredores. Existe apenas uma área principal de circulação, disposta em volta do jardim interno, que leva a todos os ambientes. O que surpreende ainda mais na casa é a mistura de funções. Exemplo: a claraboia não é apenas uma abertura que permite a passagem da luz. Por ser revestida com vidro blindado, qualquer um pode andar sobre o espaço. Por isso, não raramente vira palco de visitantes. Volta e meia Osvaldo gosta de subir para apreciar a vista.



A alma da casa é ele
Não há dúvidas: a casa é uma obra-prima cravada no meio de mais de 120 mil m2 de área preservada. Mas não se engane. A alma do lugar é o próprio Osvaldo. Estar com ele é garantia de boas risadas. Como diz sua filha, que é ilustradora de sucesso nos Estados Unidos, o pai é o melhor parque de diversões. Arquiteto e urbanista de formação, ele fez carreira no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). Foi de tudo um pouco. De técnico a presidente. Algumas mudanças importantes têm seu dedo no meio, como o Plano de Arborização de Curitiba, o projeto de reciclagem do Viaduto Capanema e a trincheira da Avenida Sete de Setembro.
Osvaldo conta que a casa foi um divisor de águas em sua vida. Afinal, mesmo estando distante apenas 2,5 km do Centro Cívico, o coração político da cidade, a impressão que se tem é de estar no interior. Os únicos cuidados que a casa ainda exige são a invernização das madeiras e a poda das árvores que estão ao redor da casa, para evitar qualquer acidente.
Nas horas vagas, gosta de ficar atrás da câmera fotográfica. Suas fotos espalhadas pelas paredes de casa não dão margem para outra desculpa. Mas se diverte de verdade fazendo pizza para os amigos ou organizando saraus de música. Toca sax e flauta como um músico profissional. E, de quebra, coleciona mais um título interessante: é um dos fundadores de um dos primeiros clubes brasileiros de canoagem. Basta olhar sua garagem, que é recheada de barcos, caiaques e infláveis.


