Arquitetura

Nunca mais

adrianoj
05/03/2007 02:38
A jornalista Rosana Cargnin estava na maternidade após ganhar sua segunda filha, Helena, hoje com três meses, quando teve de decidir detalhes do acabamento da sua casa em construção, por telefone. A menina deveria chegar já na nova residência, mas…
A obra atrasou quatro meses. “De madrugada, dando de mamar, ficava pensando na casa”, conta a mãe também de Pedro, 4, e esposa de Walter.
O orçamento ultrapassou o previsto em 20% e o dinheiro do casal acabou. “Tivemos de recorrer à ajuda da família para continuar”, diz Rosana após ser interrompida pela segunda vez em poucos minutos de conversa para decidir a altura da pia dos banheiros. “Se eu não estivesse aqui, seria mais um telefonema. Já ando com a trena na minha bolsa”, diz.
O terreno que financiaria parte da obra está até hoje para ser vendido. “Aprendi que só dá para contar com o que se tem de dinheiro mesmo.” A impressão, segundo ela, é que os construtores não sabem quanto vai custar e quanto tempo vai levar na realidade. “O dinheiro gasto na fundação não foi previsto no orçamento e só soubemos disso depois”, reclama.
Para a jornalista, o começo foi mais fácil, já que ela e o marido não tiveram problemas na hora do projeto. “Sempre nos entendemos bem, temos o mesmo gosto. E antes da parte de acabamentos é mais fácil, não tem tantas escolhas para fazer.”
Apesar de saber de outras histórias de construção que deram muitos problemas, Rosana acha que a velha crença de que “isso não vai acontecer comigo” também habita as mentes sonhadoras dos futuros proprietários. “Pensei que não ia sobreviver”, resume.