Arquitetura
Mais tomadas, luz e segurança

Falta de luminosidade do antigo apartamento motivou a empresária Márcia Zibetti a reformar as instalações elétricas e a planejar cenários de iluminação
A luz pisca ou diminui a cada vez que o chuveiro é ligado? A chave de luz cai quando esse mesmo chuveiro funciona junto com o freezer? Se a resposta para as situações acima é sim, é sinal de que o abastecimento da companhia elétrica não está dentro dos padrões (os 127 V, com uma variação aceitável de 5% para mais ou menos, não chegam à residência) ou que as instalações internas estão com problemas. Quem explica é o professor de Eletrotécnica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Severino Cervelin. “Pode ser que entre o relógio e o chuveiro haja uma falha ou ainda que a instalação não esteja preparada para o uso. Explico: uma instalação comum, monofásica, aguenta um uso de 6.000 W. Só um chuveiro consome 5.000 W. A solução seria mudar para bifásica, que aguenta 11.000 W, ou ainda trifásica a partir de 19.000 W”. Com esta capacidade já é possível ter mais de um chuveiro e uma torneira elétrica funcionando ao mesmo tempo.
Para a verificação dos problemas e a reforma elétrica da residência, o profissional indicado é um engenheiro eletricista ou um técnico em Eletrotécnica, ambos habilitados no Crea-PR e atualizados quanto às últimas normas técnicas e legislação do setor – como a NBR 14.136/2002 que estabelece um padrão de tomadas e plugues no país (dois e três pinos redondos, estes para equipamentos com risco de queda de tensão, como computadores) e a Lei Federal 11.337/2006 que determina que os imóveis construídos ou reformados a partir de outubro de 2007 possuam o sistema de aterramento adequado às novas tomadas.
Comodidade
Uma nova instalação elétrica deve prever novas tomadas, interruptores e pontos de luz dos quais o morador necessita. O projeto elétrico e luminotécnico tem de ser feito no início da obra, pelo arquiteto e o profissional da área. “Isso é importante para que o eletricista passe toda a fiação necessária antes de começar o trabalho de gesso e acabamentos”, indica a designer da Ideally Iluminação, Eleonora Picanço.
A falta de luminosidade de um apartamento com mais de 15 anos de construção foi um dos motivos que levaram a empresária Márcia Zibetti a reformar as intalações elétricas da residência. “O apartamento tinha uma penumbra que me incomodava. Queria não só mais pontos de energia, mas tudo de uma forma mais organizada”. Na parte de iluminação Márcia traçou o que queria com a arquiteta Naiara Ceccon e a Ideally. “Foram planejados cenários (combinações de luminárias) para cada tipo de uso, com acionamento por interruptores comuns.”
Na parte elétrica Márcia teve uma surpresa. A reforma foi feita seguindo o novo padrão de tomadas, mas os plugues dos aparelhos antigos não são compatíveis com elas. “Não encontro mais as tomadas antigas para vender, então a solução é comprar adaptadores, o que fica bastante feio e foge do que havia planejado”. Esse é um problema que quem fizer reforma ou mesmo comprar um imóvel novo terá de enfrentar. A adaptação ao novo padrão, de acordo com o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), realmente é algo de longo prazo. Os aparelhos eletroeletrônicos com novos formatos de plugue só estarão disponíveis a partir de 2010. Até lá será preciso apelar para os adaptadores.