Arquitetura

Maior conjunto de arquitetura alemã fora da Europa fica em SC e terá projeto de preservação

Luciane Belin*
14/11/2018 20:12
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Foto: Marinelson de Almeida/ Flickr

A cidade de Pomerode, em Santa Catarina, tem 11 imóveis tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e outros 221 protegidos nos níveis municipal e estadual. Maior concentração de casas de enxaimel fora da Alemanha, a cidade tem no turismo – principalmente o arquitetônico e o gastronômico – sua principal fonte de renda, mas boa parte das construções que a tornam atrativa vem sofrendo com a ação do tempo e dos cupins.
Para preservar a herança cultural da imigração germânica, a Prefeitura Municipal de Pomerode desenvolveu o Projeto de Requalificação do Patrimônio Cultural da Imigração, em parceria com o Iphan e com a Universidade Regional de Blumenau (FURB). O objetivo é realizar um mapeamento das principais construções que integram a cidade e elaborar um planejamento de restauração que identifique os custos e principais esforços de manutenção e restauro necessários e prioritários.
De acordo com Gladys Dinah Sievert, vice prefeita e secretária de Turismo e Cultura de Pomerode, o primeiro passo do projeto foi formalizar a parceria entre as três entidades e a elaboração de um processo seletivo de cinco estudantes de arquitetura da FURB, que atuarão como estagiários bolsistas para realizar o levantamento e registro fotográfico das edificações.
Foto: Reprodução Flickr
Foto: Reprodução Flickr
Com as inscrições encerradas, os organizadores do edital dentro da Prefeitura agora estão finalizando a seleção, para, em seguida, iniciar as atividades de análise do patrimônio arquitetônico. “A primeira coisa é termos o projeto para saber qual o tipo de intervenção que esses imóveis precisam e quanto vai custar. Como são muitas propriedades, a parceria com o curso de Arquitetura da FURB vai ajudar a fazer esse diagnóstico”, explica.
De acordo com a superintendente do Iphan em Santa Catarina, Liliane Nizzola, as visitações dos estudantes deve começar no início de 2018. “Eles irão às casas acompanhados por um técnico do Iphan de Pomerode e de uma mestranda que atua na cidade e que trabalha com este tema, além do apoio de uma equipe da prefeitura”.
Foto: Reprodução Flickr
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Embora seja possível que o relatório aponte residências ainda não qualificadas como patrimônio, estão no radar do projeto algumas das construções já bastante conhecidas na cidade, como é o caso da Casa Arndt, conhecida como Casa da Crista, bem como das casas Siewert, Lümke, Wacholz, Hardt, Wunderwald, do Comércio Weege, do Comércio Haut e do Sítio Tribess.
Tendo em mãos o relatório com este mapeamento, a prefeitura da cidade irá em busca de recursos para tirar o projeto do papel. “Por ser uma das cidades que mais preserva a cultura germânica fora da Alemanha, temos parceria com algumas cidades de lá, cidades coirmãs, na Pomerânia, e vamos fazer contato para tentar ver o que conseguiremos. Outra possibilidade é a lei Rouanet, para buscar o financiamento com algumas empresas ou ainda com órgãos governamentais, mas o primeiro passo é saber de quanto nós estamos falando”, detalha Sievert.
Foto: Reprodução Flickr
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Enxaimel enquanto ícone cultural

Presente em centenas de construções na cidade catarinense, o enxaimel chegou ao Brasil junto com os imigrantes alemães, no início do século 19. Embora seja marcante no aspecto estético das residências, o enxaimel é na verdade uma técnica construtiva que consiste em elaborar uma estrutura de madeira para dar sustentação à residência e preencher os espaços vazios com tijolos.
Foto: Reprodução Flickr
Foto: Reprodução Flickr
“O maior comprometimento das residências é justamente a parte estrutural do madeiramento. Já que, nesta técnica de construção, as residências são montadas em madeira e encaixadas sem o uso de pregos, e se trata de casas que são centenárias, elas estão apresentando danos de estrutura causados pela umidade, pelo tempo e pelo cupim”, explica a vice-prefeita, detalhando que as casas foram construídas utilizando madeiras comuns na região de Pomerode, como a canela, por exemplo.
Embora não tenha necessariamente nascido na Alemanha, o Enxaimel ou Fachwerk, como é chamado na Alemanha, tem exemplares com cerca de 800 anos, mas se popularizou no país europeu e em seu entorno, tornando-se a principal técnica construtiva da região no século 19. Estima-se que, atualmente, existam cerca de 2 milhões de fachewerkhaus, ou casas de enxaimel, somente na Alemanha.
*Especial para Haus.

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