Arquitetura

Madeeeeeeeeira

Vinícius Dias
17/04/2006 02:40
Um dia a casa cai – ou é derrubada. E quando isso acontece com casas de madeira, o material pode ser reutilizado na construção de mesas, cadeiras, armários e outras peças de decoração. Apesar de ser feito com a madeira que resulta de demolições, esse tipo de mobiliário não tem um aspecto “demolido”. Mesmo as peças que conservam resquícios da gasta pintura original, por exemplo, têm um charme singular. “O móvel nem sempre é perfeitinho, lisinho, mas isso é a marca do tempo, da história da madeira”, diz Regina Beatriz Telechun, proprietária do Empório Santa Clara.
A loja de Regina compra os móveis prontos, sobretudo de artesãos de Minas Gerais e São Paulo, e os comercializa em Curitiba. Eventualmente, a madeira recebe algum tipo de cera ou trabalho como a pátina, que deixa a peça com um acabamento branco e envelhecido. “O móvel com a pátina é inspirado na região da Provence, na França, e tem bastante procura”, explica Regina.
Já a Trocadero não compra os móveis montados. A loja adquire casas de madeira, sobretudo no norte do Paraná e em Santa Catarina, as demole e constrói as peças. “Atualmente é uma tendência combinar esse tipo de peça de madeira, mais rústica, em um ambiente moderno. É só abrir uma revista de decoração e conferir”, diz Edinéia Kirchner, funcionária da Trocadero.
Apesar de parecerem água e óleo, o moderno e o antigo podem muito bem combinar. “O rústico pode ser chique e, desde que feita com harmonia, a mistura com o moderno fica bonita e faz a diferença”, avalia o designer de interiores Edson Romeiro. Ele conta que não gostava muito de coisas rústicas, até começar a usar móveis com madeira de demolição em suas criações. “Esse mobiliário dá uma identidade brasileira ao ambiente”. Mesmo assim, muita gente não consegue visualizar um móvel rústico de madeira sob uma tela de plasma, na sala de tevê.
“A maioria das pessoas ainda tem um pouco de receio de misturar e só compra as peças para colocar na chácara”, conta Regina.
Em tempos de congressos de biodiversidade, pesa a favor a característica ecologicamente correta desse tipo de móvel. Como a madeira de que ele é feito é fruto de reaproveitamento, não há derrubada de árvores – até porque as madeiras mais utilizadas, a peroba e a canela, são protegidas por lei e não podem mais ser extraídas. Por isso, a tendência é que esses móveis se valorizem com o passar do tempo. Hoje, as peças ainda não são caras, se comparadas aos móveis modernos. Um criado-mudo de peroba, por exemplo, custa a partir de R$ 240 no Empório Santa Clara.
Serviço – Empório Santa Clara: Rua Fernando Simas, 71, fone (41) 3013-5222 / Trocadero: Av. Manoel Ribas, 6.250, fone (41) 3273-2307 / Empório Brasil: Al. D. Pedro II, 44, fone (41) 3019-5448 / Depósito Santo Antônio: Rua Comendador Araújo, 617, fone (41) 3223-7261.