Era uma casa muito ecológica

Por Gilmar Longato

No entanto, não só imóveis novos devem ser sustentáveis. Os mais antigos podem – e devem – aderir a essa vertente. Mas, antes de sair quebrando paredes, instalando placas de energia solar e entupindo a casa de plantas, o morador deve avaliar a casa e diagnosticar o seu consumo. Os certificados da construção civil, como o processo AQUA, da Fundação Vanzolini, são métricas importantes que avaliam de fato a sustentabilidade das construções e podem ser usados como referências para reformas em casas.

Alguns investimentos na adaptação são baixos e de reflexo imediato, como substituir o vaso sanitário comum por um de caixa acoplada. Já outras medidas pedem um alto investimento inicial, como a instalação de um sistema de energia solar, que em quatro anos traz retorno sobre o valor do investimento. Segundo Ferreira, é preciso ver se a medida vale a pena e se o custo benefício está de acordo com as necessidades do morador.

Em Curitiba, o arquiteto Eduardo Assis projetou uma casa para economizar energia. Durante todo o dia, a iluminação natural é incidente, sendo desnecessário o uso de iluminação artificial. Atualmente, a casa abriga o escritório de arquitetura WWA. O arquiteto Ignacio Pablos, um dos associados da empresa, afirma que mesmo em dias nublados, a iluminação natural do ambiente é suficiente. Quando necessário, ele liga somente uma luminária direcionada à tela do computador. “Até de noite é possível ficar sem ascender a luz. Entra uma certa luminosidade na casa, vinda das luzes da rua.”

Nesta casa, a manutenção de uma temperatura agradável foi outro fator planejado. As janelas estão dispostas para que haja boa circulação do ar e a espessura das paredes também ajuda a manter calor no inverno e a não abafar no verão.

Quem pretende construir ou fazer reformas em casa precisa ter uma consciência a longo prazo. O verão, por exemplo, é a melhor época para investimentos relacionados à energia solar para aquecimento da água. “Ninguém pensa em água quente no verão. Os preços são diferentes nessa época”, afirma Aguinaldo dos Santos, professor do Depar­tamento de Design e do Núcleo de Design e Sustentabilidade da UFPR.

Obra sustentável

Durante a fase de construção ou reforma é importante pensar que o resíduo produzido na obra pertence à obra. “O ideal é ter um plano do que fazer com esse lixo. Com o tijolo, a areia e demais itens que tenham sobrado é possível fazer um canteiro ou adereços para o jardim”, diz Santos. Segundo o professor, serviços como o 156, da prefeitura de Curitiba, podem recolher o entulho, solucionando o problema físico, porém esses restos não recebem uma solução econômica e adequada ao meio ambiente.

Pensar no funcionário que irá fazer as reformas também é fundamental. Ter atitudes sustentáveis envolve, inclusive, ser adequado socialmente. Valo­rizar a mão de obra e a matéria-prima locais favorece a economia da região e, segundo Santos, contribui para uma cadeia produtiva responsável.

Consumo (des)centralizado

Diferentemente do setor industrial, que tem seus gastos centralizados, o setor habitacional consome de forma descentralizada, não enfatizando – tanto quanto merecido – o gasto. Quando se tem a visão do todo, percebe-se que o consumo é alto.

Serviço

Esal – www.esal.com.br

Fundação Vanzolini – www.vanzolini.org.br/www.processoacqua.com.br

Inovatech – www.inovatech.eng.br

Toque Natural – www.toquenat.com.br

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