É hora de comprar imóvel?

Por Gilmar Longato

Quando me perguntam se agora é um bom momento para comprar imóvel – questão meio inevitável quando sabem o que fazemos – respondo com outra pergunta: o que você tem em mente?

Só existem duas respostas à questão colocada e seria muito cômodo aqui apontar para um ambíguo talvez. O fato é que há situações em que a resposta é sempre sim e outras em que é (quase) sempre não. Vamos a elas:

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Sempre vale comprar um imóvel se:

a) É o seu primeiro imóvel próprio, o local de sua moradia. Há vasta literatura apontando o benefício do imóvel na qualidade de vida. Há um sentimento muito concreto de conquista, bem-estar, e sobretudo segurança de vida que a aquisição proporciona. Alguém pode argumentar: ah, mas o comprador tem que ter capacidade de compra. É claro; mas isso é como dizer que os rios corem para o mar. Esse é um trabalho dos bancos – que, aliás, são bem restritivos na concessão de crédito no Brasil – e por isso as taxas de inadimplência são tão baixas no setor.

b) Quando a compra representa um acréscimo de qualidade de vida. Pelas mesmas razões acima, melhorar de localização, atender a um novo ciclo de vida, ter mais conforto e lazer: tudo isso amplia sobremaneira o bem-estar das famílias.

c) Quando a compra é pensada como um investimento de médio e longo prazo. Nesse caso, seja como forma de proteção patrimonial ou como efeito de valorização do bem. É bastante conhecida a valorização de longo prazo do setor imobiliário. Pergunte a seus pais, se você tem dúvida.

Quando não compensa:

a) Se o objetivo é lucrar em curto prazo, isto é, especulativo. É como uma espécie de day trade em versão ampliada – com imóveis como se estes fossem opções. Nonsense. Mais ainda pelo fato de que nos imóveis, nem mesmo a liquidez rápida existe. Não faz sentido, e todas as exceções – raríssimas, diga-se – serão sempre isso: exceções.

b) Se o custo de manutenção do bem for proibitivo para você. Comprar imóvel implica custos de manutenção constantes, taxas e impostos, e não se deve comprar algo que não se possa manter, o que é óbvio – mas nem sempre bem observado.

c) Se você tem muitas dúvidas sobre a compra. Sempre ocorre uma ansiedade natural na hora da compra. Ocorre que em alguns casos o conjunto de dúvidas – sobre o imóvel em si, a localização, a qualidade da entrega, o momento pessoal de cada um em seu ciclo de vida – não consegue ser solucionado a contento. Talvez seja o caso de repensar a compra, então. Mas veja bem: não se trata da questão que alguns colocam, tolamente: você, por acaso, sabe como vai estar sua situação econômica em 30 anos? Ninguém sabe, é claro. Só que em 30 anos é a sua vida que passa. É mais comum você olhar para trás e se arrepender dos imóveis que não comprou do que o contrário.

No geral, portanto, salvo casos de má fé generalizada, o que observamos nas pesquisas mais recentes é que a compra do imóvel gera um tremendo sentimento de orgulho, felicidade e bem-estar às famílias.

Não poderia ser diferente: ante a todas as mudanças do ambiente, o imóvel permanece; e você pode frui-lo. O bom momento na vida pode ser agora.

*Marcos Kahtalian é sócio fundador da Brain Inteligência Estratégica.

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