Arquitetura

Do projeto à pintura

adrianoj
05/03/2007 02:47
Ideal X Real
• Não existe obra sem problemas.Deixe de lado falsas expectativas de que tudo será perfeito. “O cliente chega muito ansioso, é seu sonho de vida”, diz o arquiteto Marcos Vinícius Paiva, diretor-comercial da Construtora J.A. Baggio.
O início
• Para projetar a residência, os donos precisam saber o que e por que querem. O arquiteto Flavio Monastier lista alguns aspectos que vão nortear o profissional:
• Quantos filhos o casal tem ou quer ter?
• Os futuros moradores têm muita ou pouca roupa?
• Como é sua vida social: recebem muito ou pouco? Como recebem (jantar, festa, café, churrasco…)?
• Alguém trabalha em casa? Recebe pessoas profissionalmente?
• Quantos e qual o tamanho dos banheiros?
• Querem cômodos como sala de jantar ou home theater? O home pode ser na sala principal ou precisa ser separado?
• Onde serão guardadas malas, árvore de Natal e outros itens permanentes ou temporários na casa?
A Agenda
• Mesmo que se tenha toda uma estrutura por trás, os moradores terão de dispor de muito tempo para as decisões relativas à obra. Principalmente nas fases de projeto e escolha de acabamentos. E se quiser que tudo saia conforme seus desejos, sua presença na fase final da obra é imprescindível.
O dinheiro
• Esteja preparado para um estouro no orçamento de 10 a 15%. “Se o cliente não estiver preparado para investir cerca de 10% a mais que o orçamento inicial, indicamos não fechar negócio”, alerta Paiva.
De novo
• Mesmo acompanhando a obra de perto, dificilmente não haverá necessida de refazer algo. “A mão-de-obra da construção civil é a parte mais complicada no meu trabalho”, diz o arquiteto Vinícius Trevisan.
Equipe
• Toda construção ou reforma precisa do acompanhamento de um arquiteto ou engenheiro civil, por lei. Contratar ou não uma construtora depende de fatores como tempo e disposição que você tem para acompanhar a obra – a assessoria da construtora diminui (mas não acaba com) essa exigência – e o dinheiro disponível – pode sair mais caro pela construtora, mas o trabalho facilitado muitas vezes compensa. Ela assume problemas trabalhistas, custo de serviços que precisem ser refeitos e providencia a parte legal. Os mesmos serviços podem ser prestados pelo arquiteto ou engenheiro responsável.
• Antes de contratar, pesquise valores, o que cada uma oferece – peça cópia do memorial descritivo de acabamentos – e idoneidade da empresa, pedindo suas certidões negativas.
• A menos que você tenha uma boa noção de decoração, a assessoria de um profissional na hora de escolher acabamentos é valiosa. “O profissional não deve escolher por você, mas orientá-lo”, lembra Monastier.
Prazo
• Vários fatores podem atrasar a obra. Clima, mudanças no projeto, problemas financeiros, funcionários doentes. Prever no mínimo dois meses de atraso evita aborrecimentos.
Relações complicadas
• Construir é dar forma ao sonho. Por isso as diferenças do casal vêm à tona nesse momento. Para a psicóloga Carla Cramer, as habilidades de comunicação e negociação são postas à prova. É preciso saber ouvir o outro, expressar seus desejos e, as vezes, ceder.
• Uma comunicação sincera e direta também facilita a relação com os profissionais envolvidos na obra.
• Ter uma boa visão da realidade é crucial. Não adianta querer uma casa de R$ 400 mil se a disponibilidade é de R$ 100 mil.
• Use as competências de cada um para administrar a obra. O mais objetivo cuida do dinheiro e aspectos legais. Quem tem senso estético mais apurado acompanha o acabamento.
• Ouça quem já construiu. Muitas experiências podem ajudar na sua obra.
• Se o casal já tem dificuldades na negociação do dinheiro e outros aspectos da vida a dois, uma construção exacerba os conflitos. (EB)