Arquitetura

Corrosão é mais severa na praia

adrianoj
20/11/2009 02:56
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Trincas em lajes e pilares e manchas escuras ou alaranjadas nas paredes. Esses são os sinais de uma possível infiltração na residência. “Isso é bastante preocupante no Litoral, já que a ma­­­resia contém hipocloreto, substância que quando dissolvida tende a contaminar o concreto e, se encontrar condições propícias, como a existência de água (umidade de uma infiltração), causa corrosão da estrutura do imóvel”, alerta o engenheiro civil e professor do Departamento de Construção Civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mar­­­celo Medeiros. Ele explica que um profissional capacitado (um engenheiro especializado em recuperação de estrutura de concreto) tem, por meio de um equipamento, como medir o potencial dessa corrosão e planejar a recuperação da estrutura do imóvel.
Medeiros diz que dois fatores importantes para evitar o problema é a escolha do cimento certo (em qualquer construção e reforma) e de mão de obra capacitada (com boa indicação). “Há tipos de cimento que oferecem menor permeabilidade, ideais para serem usados em construções de praia. Esses cimentos têm as classificações CPIIZ e CPIV. Para que tenham o efeito resistente desejado, no entanto, é preciso que a mão de obra seja boa e que saiba fazer bem a mistura do concreto.”
O mesmo cuidado com paredes e lajes deve ser tomado com o telhado. “Ao menor sinal de goteiras e manchas é preciso verificar e consertar o telhado. Quanto mais tempo o problema for deixado de lado, maior ele fica depois e mais caro de resolver.”
As calhas devem ser limpas regularmente, principalmente nas saídas de escoamento. A limpeza da caixa d’água e da fossa séptica (para quem não tem tratamento pela rede de esgoto pública) também são manutenções que devem ser feitas antes da temporada. “É importante proteger a caixa d’água, não só fechá-la, mas impedir o contato da luz com a água para que não aja a formação de algas, nocivas para o nosso metabolismo”, diz o professor do De­­­partamento de Hidráulica e Sa­­neamento da UFPR, Miguel Man­­sur Aisse.
O Guia do Usuário da Sanepar, (www.sanepar.com.br, em um link do lado esquerdo da página), traz informações precisas sobre a quantidade de água clorada, materiais e o jeito certo de fazer a limpeza da caixa. “No caso da fossa, recomendo uma limpeza anual, pensando em uma residência usada durante todo o ano por uma família de quatro a cinco pessoas. É bastante comum as pessoas esquecerem desse cuidado e com um número a mais de pessoas na casa durante o verão, a fossa acaba transbordando”. A limpeza da fossa (remoção do lodo) deve ser feita por empresas especializadas na atividade.
Ralos e sifões de pia podem causar mau cheiro. “Quando molhados eles impedem que os gases da rede sejam exalados. Mas com a casa vazia por muito tempo, eles tendem a secar e dar vazão ao mau cheiro, além de permitir a entrada de vetores (baratas e afins). Por isso a cada visita à residência de praia é importante deixar correr um pouco de água neles.”
Cupim
O local favorito para o ataque desses insetos é o ripamento do telhado das casas de praia. “Geralmente é depois que ataca essas parte da casa que desce para outras como portas, janelas, rodapés e mó­­­veis. É justamente nesse período que as pessoas percebem o problema, mas provavelmente o telhado já foi atacado”, explica o biólogo da Exclusiva Controle de Pragas, Roberto Lúcio Passos de Amo­­rim.
Para prevenir o problema, ele aconselha que o telhado seja avaliado frequentemente. “Os sinais de cupim mais fáceis de identificar são os buracos e o pó do cupim, que na verdade são as fezes do inseto e por isso são prejudiciais a nossa saúde, podendo causar doenças como a micose”. A madeira seca esfarelada também é sinal da presença da praga.
Para fazer a avaliação é preciso chamar empresas de dedetização com licença da Vigilância Sanitária. A hora de trabalho custa, em mé­­­dia, R$ 200. O tratamento é feito com produtos aplicados por má­­­quinas elétricas cuja ação dura seis meses. A casa só deve ser ocupada novamente depois de 6 a 8 horas da aplicação do produto.