Arquitetura
Construir exige paciência

Nívea Rosa, o marido e a filha de um ano: muita pesquisa e paciência | GAZETA
Paciência. Essa é a palavra-chave para quem quer construir, segundo arquitetos, engenheiros, construtoras e famílias que já passaram pela experiência. “Não é fácil lidar com construção, pedreiros, pintores e afins. Sempre tem um imprevisto”, avisa a bancária Nivea Rosa, de 33 anos, que acaba de se mudar com o marido, a filha e os quatro cachorros para uma casa no bairro Novo Mundo, em Curitiba. Ela já tinha um terreno e queria uma casa com a sua cara, o seu jeito, por isso optou pela construção.
Essa decisão, porém, não é simples – e nem deve ser. Para o arquiteto Frederico Cartens, a família deve se questionar e muito para não tomar uma atitude precipitada que, mais tarde, vai gerar transtornos e um rombo no orçamento.
“A primeira pergunta é quanto a morar em uma casa. Isso pode parecer primário, mas depois de refletir bastante sobre isso muitos clientes saem do meu escritório convencidos de que têm de morar em um apartamento mesmo.
Casais com filhos que trabalham o dia todo e mal param em casa devem pensar bem antes de construir”, alerta o arquiteto que costuma fazer uma série de questionamentos para estimular os clientes a uma reflexão que envolve questões práticas e também subjetivas.
“Quando você mora em um apartamento muitos dos serviços necessários para a manutenção e a segurança do imóvel, como limpeza de calhas e caixa d’água, ficam a cargo do condomínio. Em uma casa isso será de sua responsabilidade e não terá o custo dividido com outras pessoas”, exemplifica.
Principais erros
Se a decisão for realmente por construir, isso deve ser feito de maneira correta: leia-se com orientação profissional, fugindo do mau hábito brasileiro da informalidade. A falta de um projeto e de profissionais (arquitetos e engenheiros), credenciados no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) de cada estado, são os principais erros cometidos por quem constrói, segundo o engenheiro e presidente do Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos (Ibec), instituição que forma arquitetos e engenheiros do país inteiro para o gerenciamento de obras, Paulo Roberto Vilela Dias.
Ele explica que o projeto é a consolidação da ideia da casa que se quer e o ponto de partida para todo o orçamento e a execução da obra. “Nesse sentido é importante gastar o tempo que for necessário na sua elaboração. Sem ele, a construção é um pacote de surpresas desagradáveis. Sempre aparece algo novo para pagar”. No caso da bancária Nivea foram mais de 15 esboços até se chegar na casa que ela e o marido queriam.
Já os profissionais (arquitetos e engenheiros), credenciados no Crea, são fundamentais porque são capacitados para tocar uma obra e se responsabilizam, profissionalmente, pela qualidade do seu serviço.