Com a palavra, o “ecoarquiteto”

Por Gilmar Longato

As cidades não precisam de poluição e dos abusos dos recursos naturais para serem grandes. O arquiteto malasiano Ken Yeang provou que até mesmo os arranha-céus, ícones das megalópoles, podem ser sustentáveis. O impacto de suas ideias sobre uma arquitetura mais verde fez com que o jornal britânico The Guardian o citasse, em 2008, como uma das 50 pessoas que poderiam salvar o planeta. Em Curitiba, Yeang participou do 3.º Simpósio Internacional de Sustentabilidade em Arquitetura e Urbanismo e falou sobre sua vocação para criar projetos ecológicos.

Por que você se considera antes de tudo um ecologista?

Meu olhar é direcionado para o ecossistema. A partir dessa percepção, procuro desenvolver projetos capazes de se integrarem e conviverem com o ambiente em que estão inseridos.

O que significa ser um “ecoarquiteto”?

Ser um ecoarquiteto é pensar de que forma é possível facilitar o diálogo entre os espaços construídos pelo homem e o meio ambiente, de uma forma sustentável.

O que o fez querer projetar arranha-céus sustentáveis?

Essa minha predileção fez parte de uma reflexão, que me levou a concluir que esses edifícios gigantescos vão continuar fazendo parte da cidade. Pensando nessa situação, quis criar estruturas que comportem tanta gente de uma forma confortável e ecológica.

Quais são os seus desafios como arquiteto?

Procuro criar edifícios e estruturas urbanas como se fossem sistemas vivos, integrando aspectos orgânicos do meio ambiente com os componentes materiais e inorgânicos. O objetivo é desenvolver estruturas capazes de estabelecer verda­deiros ecossistemas nesses arranha-céus.

Como popularizar o design verde?

Com o tempo, as pessoas vão perceber que terão de mudar de vida, a forma como fazem negócios, como produzem e o que comem. Será necessário repensar essa obsessão pelo consumismo e ampliar os investimentos em fontes renováveis de energia. Não é algo a ser conquistado de uma vez só. Mas é preciso tentar.

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