Arquitetura
Cinco casas de madeira históricas para visitar em Curitiba

Casas de madeira guardam o saber popular das antigas construções paranaenses. Fotos: Divulgação
As casas de madeira são um grande patrimônio do Paraná. Nesse ponto, o movimento paranista deu bobeira. Resgatou a araucária, o pinhão e os temas indígenas em uma tentativa de construir a identidade regional para o estado. Mas seus intelectuais deixaram passar as casas populares de araucária.
Os arquitetos Key Imaguire Junior e Marialba Rocha Gaspar Imaguire – com a experiência de quem dedicou a vida à arquitetura de madeira – defendem a mesma tese. E explicam: “A casa de madeira é um produto cultural que, em grande parte, aconteceu em decorrência do ciclo econômico da madeira no estado, por volta de 1930. Afinal, a madeira de araucária era um material abundante e barato”.
O estilo de construção mais tradicional é o de tábua e ripa com madeira de araucária. Confira cinco casas que guardam essas memórias arquitetônicas e que são abertas ao público.
Casa Domingos Nascimento Sobrinho (Iphan)




Major Domingos do Nascimento Sobrinho era delegado de polícia e construiu a casa na década de 1920 para sediar uma chácara, quando a esquina das ruas Guararapes e Vital Brasil, no bairro Portão, era distante do Centro. Com a morte de seu proprietário, a área foi vendida e, com a valorização da região, dificilmente a casa seria preservada.
Ela chamou a atenção do arquiteto e especialista em restauro e preservação José La Pastina FIlho, que propôs a doação da casa para preservação em outro local como sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no bairro Juvevê.
A arquitetura da casa tem forte influência europeia, com destaque ao amplo sótão, às varandas e aos adornos em lambrequins. Em cada cômodo também nota-se a presença de barras decorativas com motivos frutíferos, florais e geométricos, modismo da época da construção, que dão a sensação de rebaixar o teto de quatro metros de altura.
A sede regional do Iphan é aberta a visitação pública. Ela funciona na Rua José de Alencar, 1.808, no Juvevê, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 18h. É necessário agendar previamente a visita somente se você quiser um tour com informações especializadas. De outro modo, é só chegar e se identificar.
Casa Estrela



Considerada a única moradia do mundo inspirada na filosofia esperanto e na teosofia, a casa foi erguida na Rua Zamenhof, no Alto da Glória, na década de 1930, por Augusto Gonçalves de Castro. É uma construção simples, de madeira, mas feita a partir de um pentágono regular, uma das figuras mais complexas da geometria.
Há mais de 20 anos desperta a atenção de estudiosos da arquitetura, preocupados com a integridade da construção. Em 2009 foi transferida para o campus da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), no Prado Velho. Em junho de 2013, a instituição inaugurou um espaço cultural na casa, que pode ser visitada pelo público. Para saber todos os detalhes sobre a casa, clique aqui.
A casa histórica fica dentro do campus Curitiba da PUCPR, na Rua Imaculada Conceição, 1.155. Ela é aberta a visitações das 9h às 18h, de segunda a sexta-feira.
Casa Gomm



Embora não seja numerosa, a comunidade inglesa de Curitiba contribuiu com um exemplar característico de residência em madeira. A Casa Gomm foi construída pela família em 1913 e originalmente ficava na Avenida Batel. Tombada pelo patrimônio histórico estadual em 1989, ela foi desmontada e transportada para o Bosque Gomm, na esquina das ruas Bruno Filgueira e Hermes Fontes nos anos 2000.
Entre os aspectos significativos está a forma orgânica de sua arquitetura, marcada pelos três planos na fachada dotados de bow windows – detalhe típico da casa inglesa tradicional. Desde julho de 2013, a Coordenação do Patrimônio Cultural do Estado (CPC) passou a funcionar no local.
Visitações são permitidas de segunda a sexta-feira, das 14h às 17h. O endereço é Rua Bruno Filgueira, 850. Mais informações pelo telefone (41) 3312-0426.
Armazém Santa Ana

A casa de madeira alaranjada não passa despercebida por aqueles que pegam a Avenida Senador Salgado Filho, no Uberaba. Há vassouras, enxadas, cestos de vime e muito mais. Lá dentro, no Armazém Santa Ana, a terceira geração de uma animada família meio ucraniana, meio polonesa, cuida de cada detalhe para manter tudo funcionando. O armazém é de 1934 e desde a década de 1990 passou a servir almoço e ser ponto de encontro para happy hour.
A casa funciona na Avenida Senador Salgado Filho, 4.460, e abre segunda, das 14h às 22h, e terça à sábado, das 11h às 23h. O almoço executivo é de terça à sexta-feira, das 11h30 às 14h. Mais informações pelo telefone (41) 3024-5320.
Limoeiro


Uma antiga casa de madeira vermelha do Cristo Rei abriga o restaurante Limoeiro. A casa é no tradicional sistema tábua e ripa e a frente do terreno ainda é todo em rocha natural. A decoração lembra muito a casa de vó e foi reaproveitada dos antigos proprietários. Desde os lustres até os penduradores faziam parte do mobiliário. As mesas são feitas com madeira do piso de outra casa antiga. Para o deque foi utilizada madeira da fábrica da Matte Leão, que ficava no bairro Rebouças em Curitiba.
O restaurante fica na Av. Av. Mal Humberto A. C. Branco, 669, Cristo Rei. Abre de segunda a sexta, das 11h30 às 14h30 e das 18h30 às 23h, e sábado e domingo das 11h30 às 15h30. Mais informações pelo telefone (41) 3014-8014.