Igrejinha que criou novena de N. Sra. do Perpétuo Socorro e que dá nome ao Alto da Glória é reaberta
A igrejinha centenária que deu nome ao bairro Alto da Glória e que ajudou a criar a tradição da novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro antes da construção do santuário volta à sua antiga glória após 11 anos fechada. A Capela de Nossa Senhora da Glória, como é batizada oficialmente, será reinaugurada na noite desta quarta-feira (15), data em que se celebra a Assunção de Maria.
Construída em 1895 como templo particular das grandes famílias dos barões do mate Fontana, Leão e Veiga, a capela foi doada à Mitra Arquidiocesana em 2001, quando dos 100 anos da empresa Leão Júnior, responsável pela Matte Leão na época. Só no ano passado um convênio entre a instituição religiosa e a Prefeitura de Curitiba garantiu o recurso para o restauro, totalizando R$ 1,1 milhão.

>>> 3 projetos mostram como seria o apartamento da série ‘Friends’ em 2018
Joia de simplicidade
Além de sua importância histórica para a capital paranaense, a capela é também uma joia arquitetônica. “Tamanho não é documento. Na sua escala reduzida, a igreja encanta pelo posicionamento na cidade e pela arquitetura artesanal que apresenta”, defenda a arquiteta Giceli Portela, que leciona na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e que executou o restauro do imóvel de Unidade de Interesse de Preservação (UIP).
“Diferente da Catedral de Curitiba, que também restaurei, que é imponente, precisa e rigorosa em todas as suas estruturas e ângulos, a capelinha guarda ângulos não perfeitos, vestígios que mostram que foi feita com ferramentas simples e poucas pessoas”, explica a especialista em restauro.

A arquiteta Aline Soczek Bandil, autora do projeto de restauro da capela, reforça, no documento de recuperação da igrejinha, que a construção é simples, do período eclético, com predomínio de elementos do neoclássico, como portas e janelas em arco pleno (semicirculares) e frontão triangular. Do eclético, destaque para elementos de argamassa imitando lambrequins na fachada.

>>> Técnica que está desaparecendo, arcos de madeira sustentam galpões da Curitiba de antigamente
Tradição de família
A capela abriga diversas estátuas centenárias adquiridas na França no final do século 19, incluindo um ícone raro de Nossa Senhora da Glória Assunta, de braços abertos para o alto, como revela a fazendeira e empresária Maria Cecilia de Leão Rosenmann, 70 anos. Entre as outras imagens, estátuas de Santa Efigênia e Santo Agostinho.

“Era tradição da família realizar os batizados e casamentos na capela”, lembra Maria Cecilia. “No início eram os padres Passionistas que realizavam as missas aos domingos. Depois os Redentoristas pediram o local emprestado por um ano. Acabaram ficando 15 anos e iniciando a novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Na época, a rua chegava a ser fechada às quartas-feiras.”

Responsável pelas seis capelas do Centro Cívico, o Padre José Aparecido Pinto, 60 anos, diz que a igrejinha vai ter horários de visitação e até de missa semanal, que serão revelados em outubro, depois de mais alguns processos. “É uma capela que tem um carinho muito grande da comunidade, e volta a cumprir com sua vocação inicial”, celebra José Aparecido.
Veja mais fotos da capela restaurada:








LEIA TAMBÉM
Depois de 20 anos fechado, prédio icônico do Centro de Curitiba será sede da Casa Cor Paraná 2019
Novo edifício no Ahú ganha decorado com projeto de renomado escritório sueco