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Arquitetura
BAB: a Bienal de Arquitetura Brasileira chega ao Parque Ibirapuera

Projeto Casa Empate | Marlúcia Cândida
O Brasil ganha uma nova bienal dedicada a aproximar arquitetura e vida cotidiana. Ela começa em março, no coração do Parque Ibirapuera.
São Paulo, 2026 — Existe um dado que diz muito sobre a nossa relação com a arquitetura: apenas 9% das reformas realizadas no Brasil contam com o trabalho de um arquiteto. Não é uma questão de falta de interesse — é uma questão cultural. A arquitetura ainda é vista como privilégio, como técnica restrita, como algo que não nos pertence no dia a dia. É exatamente para mudar esse cenário que nasce a BAB — Bienal de Arquitetura Brasileira, um evento imersivo que estreia no dia 25 de março de 2026, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.
O que é a BAB e por que ela importa
A BAB é uma plataforma cultural sem fins lucrativos criada para aproximar as pessoas da arquitetura — não como disciplina técnica, mas como linguagem, como cultura, como parte da vida cotidiana. Idealizada pelos fundadores da Archa, Anna Rafaela Torino e Raphael Tristão, em parceria com Felipe Zullino, a bienal chega com uma proposta clara: fazer com que mais brasileiros percebam que a arquitetura está presente em tudo — na casa onde moramos, na rua que percorremos, no bairro que habitamos.
"A BAB nasce para ampliar esse olhar, propondo que a arquitetura seja percebida como cultura, como pensamento e como repertório cotidiano", explica Anna Rafaela Torino, Diretora de Conteúdo da BAB.
Um encontro com a melhor arquitetura brasileira
A escolha do local já é uma declaração de intenções. A BAB vai ocupar o Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA), um dos edifícios projetados por Oscar Niemeyer com paisagismo de Roberto Burle Marx — dois nomes que, sozinhos, já justificariam uma visita ao Ibirapuera. Dentro desse espaço histórico, a bienal criou o conceito de Pavilhão Brasil: um conjunto de pavilhões temáticos organizados pelos biomas brasileiros — Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampas e Pantanal.
Cada pavilhão foi projetado por arquitetos de diferentes regiões do país, selecionados por concurso da plataforma Archa, com a missão de traduzir em espaço as formas de morar, viver e habitar cada território. O resultado é uma experiência que vai muito além de uma exposição convencional: é uma viagem pelo Brasil através da arquitetura.
É do Brasil
O Masterplan da edição inaugural foi desenvolvido pelo Estúdio Leonardo Zanatta Arquitetura, vencedor de concurso nacional aberto a arquitetos de todas as regiões.
Entre os destaques dos pavilhões assinados, nomes consagrados e novos talentos dividem o palco da BAB. Da Amazônia ao Pampa, cada estado tem sua interpretação sobre o que significa morar no Brasil de hoje, com memória, materialidade, clima e identidade cultural como matéria-prima.
Amazônia
- Acre | Marlúcia Cândida em colaboração com Marcelo Rosenbaum — Casa Empate Mulheres Seringueiras
- Pará | Studio Tuca — Caminho dos Rios
- Rondônia | Thiago Marques Arquitetura — Casa Entre Águas
- Roraima | Rayresson Rocha, Estúdio Modullus e Jacqueliny Ramires — Casa-território: onde o rio, o céu e o lavrado habitam
- Fernanda Rubatino Arquitetura — Casa Terra para Sebastião Salgado
Caatinga
- Bahia | Vida de Vila — Casa do Mastro
- Ceará | ARK Arquitetura e Interiores — É o Mar
- Paraíba | Fabiano Lins Arquitetura — Do Sertão, ao Verde e Mar
- Pernambuco | Thayná Padilha Arquitetura — Casa Pernambuco
- Rio Grande do Norte | rodrarq — Casa de Veraneio
- Sergipe | Mangaba Estúdio — Relicário de Voinha
- Piauí | Black Arquitetos — Casa Dí Chico
Cerrado
- Distrito Federal | Debaixo do Bloco Arquitetura — Moderno no Viver
- Goiás | Bendito Traço Arquitetura — Casa de Amélia
- Maranhão | Larissa Catossi e Guilherme Abreu — Raiz e Trânsito – Casa Pedro Neves
- Minas Gerais | Marina Reis Arquitetura — Casa Adélia Prado
- Tocantins | Marcus Garcia Arquiteto — Casa da Arlê
Mata Atlântica
- Espírito Santo | Letícia Finamore Arquitetura — Mulher Capixaba Contemporânea
- Paraná | Boscardin Corsi — A Casa que Dança
- Rio de Janeiro | Paula Martins Arquitetura — Casa Corcovado
- Santa Catarina | Jeferson Branco — Pavilhão de Santa Catarina
- São Paulo (Cidade) | Gabriel Rosa — Loft da Escritora
- São Paulo (Estado) | Os Gêmeos Arquitetura e Engenharia — Tão Paulista quanto a Avenida
Pampas
- Rio Grande do Sul | Studio Carbono + Matte Arquitetura — Querência Amada
Pantanal
- Mato Grosso | OHMA — Loft da Preservação Cuiabana
- Mato Grosso do Sul | DNA – Deborah Nazareth Arquitetos — Casa Ñandejara
Experiência completa
A BAB ocupa dois espaços principais: o Pavilhão Brasil e o Pátio Metrópole, área externa com instalações temáticas, experimentações construtivas e ativações de marcas. A transição entre os dois acontece pela marquise do Pavilhão Brasil, onde André Henning assina o café da Copa Energia, um respiro entre uma experiência e outra.
No Pátio, a Vila BAB reúne três casas assinadas: a Casa Leve, por H2C; a Casa Superlimão, pelo escritório homônimo; e a Casa da Vila por Vida de Vila. Já o Boteco Suvinil, assinado por Nicole Tomazi e Sergio Cabral, promete ser um dos pontos mais coloridos do evento.
Nos espaços assinados, escritórios de referência marcam presença: Superlimão assina a Casa Electrolux; Ricardo Abreu, o pavilhão para a TCL; Fernanda Marques, para o café da Breton; Rodrigo Ohtake, para a Zissou; Gui Mattos, para a Arena de Conteúdo com a Zait; e Carlos Rayol assina o restaurante BIOMAS.
Uma parte da área externa é de entrada gratuita, com praça e palco para ativações culturais abertas ao público.
Como visitar a BAB
A bienal fica em cartaz de 25 de março a 30 de abril de 2026, com funcionamento diário, das 12h às 21h. Os ingressos custam R$ 80 durante a semana e R$ 100 nos finais de semana (inteira), vendidos exclusivamente pelo site oficial. A entrada recomendada é pelo Portão 03, na Avenida Pedro Álvares Cabral.
Vale a visita? Com certeza.
A BAB não é um evento para arquitetos. É um evento para qualquer pessoa que já entrou em um espaço e sentiu que ele era especial, sem saber exatamente por quê. Que já olhou para uma janela bem posicionada, para um pé-direito alto, para uma varanda que parece abraçar a paisagem, e percebeu que aquilo fazia diferença. A bienal existe para dar nome a esse sentimento. E para mostrar que a arquitetura, no Brasil, tem muito a dizer.
Garanta seu ingresso Os ingressos para a BAB estão à venda exclusivamente pelo site oficial. Não deixe para a última hora — o evento vai de 25 de março a 30 de abril de 2026, no Parque Ibirapuera, São Paulo.