Arquitetura

Barreiras em pé

Bruna Covacci, especial para a Gazeta do Povo
26/09/2013 03:14
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Desde os primeiros registros das cidades, sempre houve a necessidade de proteger as moradias. “Na era medieval, por exemplo, as cidades eram construídas em pontos estratégicos e, ao seu redor, havia grandes muros e portões”, diz a arquiteta Carla Kiss. Foi aí que surgiram as grades. O que mudou de lá para cá foi a forma de fabricá-las, o material usado e a preocupação estética, uma vez que hoje em dia elas precisam harmonizar (ou não interferir) com o projeto.
De acordo com o coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Positivo, Norimar Ferraro, a evolução dos estilos de grades segue as mesmas linhas da arquitetura em voga em determinado momento. “Casas antigas, por exemplo, têm grades com desenhos, no estilo neo-clássico. Elas eram personalizadas e feitas com material forjado. Uma técnica artesanal cara (250% a mais do que as convencionais) e feita apenas por empresas específicas”, conta o serralheiro Julio Santos.
Fica difícil dizer, no entanto, qual a grade do momento. “O desenho do gradil depende da obra em si, se é mais rebuscada ou minimalista. A grade deve seguir a mesma linha”, diz Ferraro, apontando para algumas tendências, como o estilo contemporâneo, com linhas octogonais.
Parte técnica
Segundo o catálogo da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), não há norma relacionada às grades em caso de fechamento de terrenos, só são regulados os materiais e soldas para sua confecção. Qualquer material aplicado na composição deve manter suas características iniciais quanto à resistência e à durabilidade. A altura depende da funcionalidade. “O que acontece é que as grades usadas especificamente para proporcionar segurança têm mais resistência e devem ser projetadas de forma que não sirvam como escada”, afirma Carla.
O gradio pode ser feito com barras de ferro, alumínio e metalon (tubo de aço de carbono). Para o engenheiro civil e assessor técnico do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR), Ivanor Fantin, os materiais mais usados para o fechamento de terrenos são, em geral, o alumínio e o ferro. Em casas e apartamentos, recomendam-se as grades de metalon, mais resistentes.
Há duas opções de acabamento para as barras (independentemente do material de base): a galvanização e a chapa preta. O material galvanizado fica mais protegido contra a corrosão, dura de 12 a 15 anos e custa uma média de R$ 240 o m². A chapa preta, por sua vez, dura no máximo cinco anos e custa R$ 200 o m². A manutenção e pintura de ambos deve ser feita de dois em dois anos.