Blocos de concreto: versáteis e sustentáveis
Conhecidos pelo uso em construções rápidas (principalmente de casas populares), os blocos de concreto ainda são pouco famosos entre os arquitetos de Curitiba, mesmo que haja alternativas para encaixá-los tanto em construções quanto em soluções arquitetônicas. Por enquanto, os blocos ainda são bem aceitos apenas em projetos de grandes prédios, situação em que são peças-chaves porque têm resistência superior à dos tijolos. Aqui e ali, porém, surgem iniciativas que mostram a versatilidade desse material.
Um uso dos blocos de concreto que tem tudo para torná-lo mais popular é o em paredes verdes, também chamadas de jardins verticais. O aspecto vazado do bloco, com furos simétricos, contribui para que plantas sejam entremeadas com facilidade. Outra opção é utilizar os blocos em fachadas, quase que funcionando como para-sol. Fabricantes investem nesse nicho, e blocos com desenhos decorativos (em geral, geométricos) já podem ser encontrados em lojas de materiais de construção, à venda por unidade. Essa forma de comercialização ajuda quem busca os blocos para decoração – fazer a base de mesas e sofás, por exemplo.
Em Curitiba, um projeto arquitetônico serve de amostra de como reunir as duas ideias (parede verde e fachada). Para a sede de uma construtora no bairro Água Verde, o arquiteto Waldeny Fiuza apostou nos blocos de concreto para oxigenar o ambiente, combinando a fachada com um jardim logo antes da entrada. “Costumamos usar bastante os blocos em fachadas [nos projetos], porque são elementos que facilitam a ventilação e a proteção contra o sol”, diz Fiuza.
Construção
Mas os blocos também são opção para quem pretende construir residências ou pequenos prédios comerciais. Podem inclusive ajudara a poupar dinheiro – respeitadas algumas condições. O engenheiro civil Alexandre Lima de Oliveira, do Instituto Federal de Educação de Santa Catarina (IFSC), explica que um projeto de arquitetura e de engenharia feito com cuidado, por profissionais que entendem do material, anula o desperdício típico de obras com tijolos.
Isso porque, mesmo que blocos sejam mais caros do que tijolos na comparação de preço por unidade, o projeto permite comprar blocos na conta exata em vez de ter de acrescentar os tradicionais 10% a mais de tijolos nas compras – para compensar os que se perdem no transporte ou durante a construção. “Tendo um bom projeto, bons materiais e uma equipe treinada, é possível poupar dinheiro. Mas o projeto é muito importante. Se ele não é adequado, pode ter que quebrar blocos, adaptar dimensões. E isso faz perder o viés de economia”, diz.
Outra dificuldade nesse caso é encontrar mão de obra que saiba lidar com os blocos e seja capaz de seguir o desenho à risca. A construção com blocos garante uma construção mais rápida e menos contratações. “Não precisa trabalhar com assentador e serventes para alcançar material”, diz Oliveira. “Também elimina armadores e carpinteiros (para a parte de caixaria), dois profissionais que estão em falta em vários mercados e por isso são caros.”
Cuidado extra
Um porém importante: o engenheiro aconselha que a resistência dos blocos seja testada em laboratório ou pelo responsável pela obra. A cautela impede surpresas desagradáveis com a qualidade do material. “Em alguns mercados, as empresas são muito competitivas. Então há o risco de a resistência informada pelo fabricante ser superior à que o material realmente apresenta.” A Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) tem um selo de qualidade para os fabricantes do material, mas Oliveira ressalta que a análise extra pode proteger a construção contra lotes problemáticos.

Foto: Pablo Contreras/Divulgação Laguna
