Apartamento de 33m² usa layouts e mobiliários flexíveis para garantir conforto
Quando as arquitetas Lara Modro e Julia Schröder, da Tempo Arquitetura, visitaram o futuro cliente em seu antigo apartamento, tiveram ali o insight para o conceito do projeto: brasilidade. Como um professor “raiz” de literatura brasileira, seu estilo tinha ares típicos das terras tupiniquins. E não foi nenhuma surpresa quando ele pediu que seu novo apartamento tivesse uma rede, digna de um balanço de grande amplitude no espaço de apenas 33 m². Desafio aceito.
O ponto de partida do projeto foi atender a essa demanda, sem deixar de lado a circulação confortável pelo ambiente. A solução foi otimizar ao máximo cada canto, literalmente. As arquitetas abusaram de layouts e mobiliários flexíveis. O resultado foi um apartamento versátil e inteligente. Enérgico e caloroso.

Integrar para viabilizar
Como colocar uma rede em um apartamento com área tão restrita? E, ainda, posicionar sofá, televisão, mesa de jantar de seis lugares, local para home office e espaço para hóspedes? A ideia foi integrar a varanda ao restante da sala, substituindo os pisos e forros existentes para tornar o ambiente mais fluido e contínuo.

Com o espaço ganho, a rede ficou posicionada de frente para a ampla janela da sala, valorizando a vista privilegiada do 16° andar para o centro de Curitiba. O canto da sacada deu espaço para a biblioteca pessoal do cliente. Ao lado, uma escrivaninha retrátil, que quando fechada é obra de arte e, quando aberta, se torna local de trabalho.

No dia a dia, uma mesa modular pequena atende com tranquilidade duas pessoas. Em dias de visita, ela se expande para seis lugares e toma o espaço que antes era da rede. A vista do almoço — ou jantar — é de ajudar em qualquer digestão.

Um armário foi projetado para dividir a sala da cozinha. Mas foi além. Serviu de dispensa e guarda-louças de um lado e painel de TV do outro — e claro, cantinho para mais livros. O sofá-cama do cliente foi reformado e reaproveitado para a sala e para os hóspedes.

Do lado da cozinha, um mobiliário já existente recebeu pequenas alterações, como inclusão de elementos mais funcionais e gavetas. Na parte da sacada, um aparador conseguiu comportar um filtro de barro e uma estação de jogos. Ao fundo, a composição é finalizada com o quadro "Rio de Janeiro", da artista Ceci Aquino, que harmoniza com a parede amarelo-vivaz.

Água do Nilo
O apartamento Brasilidade tem ainda um segundo morador. Ele tem 37 centímetros de altura, pelos pretos, quatro patas e um olhar sagaz. Nilo,
um cachorrinho astuto, não ficou de fora do projeto. Suas demandas também foram atendidas.

No aparador com filtro de barro, Nilo ganhou comedouro e bebedouro, para sua alimentação e água. Na suíte, a base da cama de casal foi projetada para acomodar um nicho, onde um mini-colchão sob medida foi colocado. Ali, Nilo não só dorme junto com seu tutor como também tem vista panorâmica de tudo o que acontece no apartamento.

Mais adaptações
Além do sofá-cama, da estante de livros e do armário embutido na cozinha, o guarda-roupas da suíte também foi reaproveitado. O mobiliário ganhou uma reforma, para se adequar ao novo estilo do apartamento. Neste cômodo, armários foram dispostos logo acima da cabeceira. A base da cama, que funciona como um baú, recebeu quatro gavetões para otimizar o armazenamento. E sabe as quatro cadeiras extras da mesa? Elas são retráteis e guardadas ali embaixo.

Como o forro em gesso precisou ser retirado para garantir integração e para que a rede fosse instalada diretamente na laje, todo o cabeamento elétrico e encanamento precisavam ser repensados. Foi aí que o próprio gesso veio como solução. Um tipo de estojo foi planejado para esconder cabos e fios e serviu para fazer uma divisão de ambiente por meio do teto.
Falando em cabos e ausência de gesso, a iluminação precisou ser assumida por completo. O estilo industrial veio a calhar. Na suíte, uma faixa de luzes direcionais foram apontadas para o guarda-roupas. O cômodo conta ainda com uma fita de LED na cabeceira da cama e a luminária do ventilador.

No local onde ficam a rede e a mesa de seis lugares, uma iluminação em sanca vem para substituir a luz diurna do janelão. Uma luminária-aranha, de luz quente, ficou centralizada com a mesa e uma outra luminária menor serviu para dar apoio à escrivaninha. As cortinas também receberam iluminação própria, do tipo que aquece o ambiente durante à noite. A sala e a cozinha abusaram dos fios industriais.